terça-feira, 22 de setembro de 2009

a vida, uma viagem

Acordas um dia e decides que vais para o Cairo dançar dança do ventre. Parece um pouco despropositado, invulgar e talvez a tua família e amigos se juntassem para te travar e internar-te. Para Joana Martins, ou melhor Joana Saahirah, isso aconteceu mesmo, tornando-se uma das mais cotadas bailarinas de dança do ventre do Egipto.

O que acho mais espantoso nesta história é a coragem da decisão. Seres uma mulher portuguesa e decidires mudar completamente a vida, para realizar um sonho pouco previsível num país muçulmano. Não é um caminho simples, fácil ou que outras tenham traçado antes de ti.
Li um artigo sobre ela no i de Sábado (que infelizmente não consegui encontrar online) e fiquei impressionada pelo seu percurso. Estes percursos de vida, que fazem dela uma viagem, desafiando o convencional e o expectável, simplesmente atrevendo-se a seguir uma ideia louca.
Acho que há um paradoxo no português de ser pioneiro e conformado ao mesmo tempo. Vê-se grandes investidas, desenfreadas e arriscadas, e depois muito marasmo.
No final, há uma mulher portuguesa a fazer dança de ventre como poucas. E isso compensa.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Amar as mamas

Objectivar (tanto de forma estética como sexual) as mamas para depois dizer que é preciso salvá-las é um acto arrojado, porque politicamente muito incorrecto. Mas é isso que faz esta campanha viral da associação canadiana Re-think Breast Cancer, com intenção de envolver e chamar a atenção para a questão do Cancro da Mama.
A Campanha "Save the Boobs!" integra-se no projecto Boobyball, cuja missão é inspirar novos filantrópicos para a causa, e com certeza consciencializar uma nova geração para a doença.
Dentro desse espírito, o evento preparado para 2 de Outubro é um cruzeiro em que se promete verdadeiramente festa.
Toda a abordagem à temática é disruptiva. Foge de qualquer cliché de campanhas contra o Cancro e fomenta uma atitude meio louca em relação ao assunto. Mas aí é que está o busílis: a prevenção deve ser uma festa. Qualquer que seja o cancro. Mas neste caso, tratando-se de maminhas, o elogio da festa parece mais fácil.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

conta a história, conta

Hoje é inaugurada a Casa das Histórias Paula Rego em Cascais.
O projecto fascina-me e estou desertinha para ir lá espreitar. Além de achar a obra da Paula Rego um palco brutal da humanidade e esteticamente pujante, a artista também me cativa. Há algo de infantil na forma como fala e um despretensiosismo que me agradam.
Hoje, na rádio, ouvi-a falar do espaço exactamente assim, como despretensioso. Essa é uma qualidade rara no mundo artístico e, na Paula Rego, encontro-a.
Por outro lado, a Casa, a que não quis chamar museu, parece ter um conceito bem catita. Aberto até às 22h, com entrada livre, com um edifício do Souto Moura, integrado no espaço, e um programa educativo amplo desenham a casa como hospitaleira. O aspecto do site, a cafetaria/restaurante e a loja prometem-nos ainda essa sensação de conforto e detalhe, que nos aconchega quando nos queremos sentir mais cosmopolitas e modernos. E, claro, há as exposições.
Para ajudar à boa sensação, esta ideia de histórias promete. Abre uma porta para mundos para explorar, para um lugar com momentos que encantam e entusiasmam, como uma boa história.
Antes de ir, já me sinto bem-vinda, talvez pelo carinho que sinto pela obra e pela criadora. E intuo a Casa como uma casa aberta a toda a gente que a quiser visitar.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Porque é bom?!

Os americanos lembram-se de tudo, e no Texas ainda deve ser melhor. Na Universidade desse estado, lembraram-se de fazer um estudo para saber por que é que as mulheres têm sexo. O estudo englobava também os homens, mas o artigo destaca mais as mulheres, talvez por um imediatismo preconceituoso de que os homens têm sexo porque tem mesmo de ser, e as mulheres é por mistérios insondáveis.
Ao ver algumas das razões destacadas, vemos uma panóplia tal de possibilidades que intuímos que o estudo não dá nenhuma resposta generalista (até porque dificilmente poderia), mas apresenta sim aos leitores um rol de motivos de terceiros para terem sexo. Não acrescenta muito, a não ser material para conversa e coscuvilhice.
A propósito dessas "grandes questões" (ou seja, mantendo o grau de superficialidade do estudo), recordo-me de uma parte da peça Caveman (de novo em cena), em que ele diz algo como "ao fim de 10 mil anos, a mulher conseguiu manter o mistério. E o homem?".
Vai daí, ponho-me a pensar nesse grande caminho de emancipação que os homens têm de percorrer. Será que ninguém quer saber por que é que eles têm sexo?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

amar o monstro

Há anúncios que são brilhantes, anúncios que fogem ao convencional, que arriscam ao ponto de perdermos o referencial em causa (neste caso um carro) para sermos unicamente cativados pelo filme em si.
Adorei este anúncio, e mais uma vez tem a assinatura aqui dos nossos hermanos do lado. Arriba arriba!


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

com ela, com ele

Abraços Desfeitos ("Los abrazos rotos" soa muito melhor) é mais um filme extraordinário do Almodóvar. O amor e a paixão, a trama telenovelesca, a crueza e a beleza das suas cores, dos seus diálogos (brutal o castelhano quando é de Almodóvar), tudo isso se mescla e insinua para trazer-nos mais um filme perfeito, para nos deliciar e cativar. E, claro, Penelope Cruz.


Que parceria maravilhosa encontraram eles de novo. Penelope Cruz está absolutamente brilhante, espanhola e cheia de ela própria. É difícil ter uma actriz assim e por isso é que a definição de espanhola lhe calha tão bem. Porque há qualquer coisa sem máscara em toda a máscara que a personagem tem. Ela roça a película, é assim que parece.

Este filme é mais um acto de génio, que é puro cinema. Não tem merdas, tem rodos, parece uma cesta cheia e exuberante de coisas boas.

Deixo aqui o trailler, que merece a pena, para apanharmos um pouco da crueza bela de Almodóvar com a sua Penelope.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

imagens cicatrizes


Foi há oito anos e, ainda assim, as imagens continuam a ter uma brutalidade inacreditável. Quem viu as imagens do embate dos aviões, das torres a cair, das pessoas a saltar, dificilmente poderá esquecer-se ou não guardar a memória das sensações sentidas.
A minha vida estava a mudar naquele momento e reforço a minha memória pessoal em relação à data 11 de Setembro de 2001.
O génio daquele atentado foi ser tão absolutamente simbólico para todo o mundo ocidental, um atentado a uma cultura. A tragédia das vítimas não teve nada de simbólico, um cenário que se repete em todo o mundo a toda a hora.
O terror perpetrado naquele momento foi um golpe de rins, insuportável e diabólico, cravando em muita gente sentimentos tão diversos como vergonha, raiva e compaixão.
E as imagens que ficaram continuam a deixar esse rasto, com um poder feroz.