terça-feira, 23 de junho de 2009

o mundo como o conhecemos...

O nosso mundo está ameaçado. Às vezes sentimos, outras esquecemo-nos. Há situações e momentos em que se torna incontornável ver a ameaça. Mudanças radicais provocadas por alterações climáticas acontecem em pessoas e espécies. Os animais vêm o seu habitat reduzido a nada. Quando desaparece a casa, desaparece a sobrevivência. O planeta Terra em completa mutação, mas nós somos humanos, mestres em sobrevivência. E, no entretanto, nada será como foi, é, tem sido. Muda a cada instante. E nem o sentimos.

Este filme é implacável nisso. E, apesar do absurdo, quando o comparamos com a imagem final, não há como deixar de sentir.




Totalmente diferente é este filme publicitário do Museu de Natureza e Ciência de Denver. Muito bonito e engraçado. Mas depois de vermos o primeiro, pensamos em como seria impossível um dinossauro sobreviver hoje. Não há espaço para ele.


segunda-feira, 22 de junho de 2009

Conta lá outra vez

Passados 25 anos da sua produção, eis que revi o filme "História Interminável", marcado em mim pela imagem de um cão voador e uma canção gira para dançar em festas dos anos 80.

Assisti ao filme este fim-de-semana, com 4 crianças à volta, e é gratificante e enternecedor testemunhar que uma boa história vale muito mais que 25 anos de inovações em efeitos especiais. Continua a resultar, a ver pela reacção dos putos. Sentiram medo, espanto, alívio, riram-se, saltaram de felicidade e comoveram-se, como as crianças das outras gerações.

E eu lembrei-me que não era um cão voador, mas sim um dragão sem asas, o Falkor!



Um mundo de fantasia que depende dos humanos para subsistir, a demanda de um muito jovem guerreiro que se confunde com a personagem do outro miúdo leitor, conseguindo juntos salvar aquele mundo quase destruído pelo Nada... tudo são grandes ideias. E, principalmente, conseguem tornar o filme uma verdadeira aventura para quem o vê, cheio de situações e momentos empolgantes e mágicos.

Ao fim de 25 anos, rimo-nos dos efeitos especiais. Mas continuamos a acreditar. Acreditamos que o Folkar é fofinho e que é possível uma criança salvar toda a imaginação simplesmente por desejá-lo.

Uma boa história é intemporal. E, é claro, interminável.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Zack

Este filme viral da tampax é qualquer coisa de extraordinário: um rapaz de 16 anos que de um dia para o outro deixa de ter pénis para ter vagina.

Não só é um retrato cómico-social engraçado sobre diferença de géneros, como é um excelente objecto de comunicação de marca. Nos dias que se seguem, o Zack vai caminhar até ao dia D da sua primeira menstruação.

Este é mais um exemplo de outros meios disponíveis às marcas para interagirem com o público. De um dia para o outro, em vez de se fazerem spots de 30 ou 60 segundos, faz-se uma curta-metragem, que nos prende a atenção do princípio ao fim.

São 12 minutos que vale a pena ver.


Sacado legalmente daqui.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

entrar sem bater

A violência doméstica é uma das enfermidades graves que contaminam a nossa sociedade. Está presente na nossa cultura em surdina e, tantas vezes, em silêncio. Essa é uma das razões por que é tão difícil combaté-la. A prevenção e o combate à VD passa muito pela quebra do silêncio e pela coragem da denúncia.

O virar de cara, o fechar de olhos, a anuência silenciosa, são práticas comuns entre os "espectadores", que se escondem ainda numa mentalidade de "entre marido e mulher, não se mete a colher". Compromete-se assim o fim das situações de violência, como se o final coubesse apenas aos seus intervenientes, desresponsabilizando-nos do papel efectivo do conhecimento. Quem conhece, deve actuar. Saber e calar é pactuar com a perpetuação da violência, é ser cúmplice da agressão.

Nesse sentido, a campanha que a Amnistia Internacional Portugal lançou em casas-de-banho de bares é um verdadeiro gesto para inverter essa mentalidade. Compromete de forma directa o público, interagindo com ele de uma forma impactante e, diria, até brutal. Cliquem na imagem para ver melhor.




Colocar sangue nas mãos das pessoas é um envolvimento directo e claro naquilo que se pretende transmitir. Não há como contornar, como não reflectir. A campanha coloca-nos em cheque.

Cada vez mais, a interacção com o público não passa pelos meios comuns (anúncios TV, outdoors, mupis, imprensa, rádio). Para ser eficaz, a comunicação hoje vai directamente ter com o público, interagindo com ele de forma muito mais presente e incontornável. Seja a nível político-social ou meramente comercial, quando uma pessoa é abordada desta forma dificilmente se esquece, pois o impacto criado é intransponível.

Num nível totalmente diferente, de mensagem e de qualidade criativa, deixo-vos outra campanha que interage com o público nas casas-de-banho públicas.



quarta-feira, 17 de junho de 2009

é para aparecer

Pelo que representa para todos nós enquanto sociedade, enquanto pessoas... Pelos sonhos, pela esperança, pela importância do momento.

Não é pelas imagens (banco de imagem?) que vos deixo este vídeo. É pela mensagem. É pela participação, é pela mudança.

Porque nos diz respeito.





Mais informações aqui.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Pára esse nadador!

Há o planeamento familiar, as medidas anticoncepcionais, a legalização da Interrupção Voluntária da Gravidez... e depois há a comunicação das marcas de preservativos.

Prazer sexual, inovações estéticas e sensoriais, segurança são algumas tónicas dominantes da comunicação. Uma campanha como esta é que nunca tinha visto.

A Wptt Contraceptive, uma marca chinesa de preservativos, lançou uma campanha e embalagem que coloca toda a função do anticoncepcional numa nova perspectiva: as tragédias que pode evitar.




A ideia é cómica e trágica! Imaginar um mundo em que os pequenos hitlers, saddams, bushs e salazares nunca tivessem existido é uma benção gratificante. Imaginar que há por aí outros pequenos nadadores potenciais loucos tiranos já é outra história - poderá ser até bastante inibidor.

Seja como for, a campanha está muito bem pensada e tem graça. E foi, ainda por cima, um sucesso. À conta disto, parece que as vendas subiram 21%. Evitando-se assim eventuais consequências tramadas.





segunda-feira, 15 de junho de 2009

As crianças a crescer

As crianças carregam consigo um mundo enorme, um universo em expansão, pleno e em superação. Um mundo que é só delas. Um mundo que representam para aqueles e aquelas que as amam. Um mundo outro, desconhecido e invisível, de possibilidades. Um mundo de amor e de frustrações.

Para além desses mundos ou a partir deles, nascem as imensas e diversas variações (cósmicas, muitas vezes) de consumo e de mercado. Umas são para agradar aos graúdos, outras aos pirralhos. Umas são de massas outras são de nicho, funcionando estas muito melhor para os adultos, que são facilmente seduzidos pela ideia da diferença. Claro está, porque as suas crianças são sempre especiais. E são mesmo.

E vem isto a propósito, não só do meu constante e profundo interesse naquilo que trata das crianças, mas também desta coisa maravilhosa e querida que me entrou pelos olhos adentro: um kit Fada dos dentes.




Esta personagem da Fada dos dentes é uma invenção com que qualquer um simpatiza. Colocar o dente de leite debaixo da almofada e receber, em troca, uma moeda ou uma prendinha representa a ideia de conquista que o crescimento acarreta. Não que ache que tudo precise ser recompensado. Mas, neste caso, trata-se de uma perda aparente que representa muito mais que isso. Que melhor forma de o ilustrar que a valorização daquele elemento perdido por uma fada? Um elemento que marca o fim da meninice e o começo de algo cada vez mais complexo e exigente.

Este Kit é, por isso, sobretudo para os adultos, que reencontram, nos seis, sete anos das suas crianças, uma variação do livro do bebé, onde podem registar estas pequenas grandes mudanças da queda dos dentes. É claro que podem agora fazê-lo com a cumplicidade e com a deteminação dos pequenos, o que torna o processo ainda mais fascinante. Eu fiquei com vontade de comprá-lo, aqui, mas já não vou a tempo.

Ao mesmo tempo que nós, adultos, somos presenteados com estes pequenos detalhes, exclusivistas, diferentes e especiais, vemo-nos confrontados com os fenómenos infantis de massa, que dificilmente conseguimos compreender. Um exemplo? Os gormitis, os bichos mais feios de que há memória. Mas há outros cuja adesão nos provoca completa estranheza, muitos mais.




Safam-se os que não têm tanto carácter sazonal (lego, playmobil, barbies, nenucos,...), apenas porque já passámos por eles.

Logo se compreende que estas modas permitem muitas outras coisas para o mundo das crianças. O desenvolvimento da sua própria esfera social, das suas relações entre pares, da cumplicidade e da partilha com os amigos. Não sabemos como começam os fenómenos, mas sabemos mais ou menos como acabam. São simplesmente abandonados, para uma nova entrega a outros códigos sociais, adequados ao crescimento.

Uma coisa é certa. A permeabilidade à oferta infantil não é exclusiva das crianças. Os adultos correm atrás dos bonecos da Pomar, dos livros com ilustrações do Bolila, dos kits de Fada dos dentes, dos brinquedos tradicionais, dos slings e da roupa personalizada.

No final, esperamos encontrar-nos todos em algo que nos divirta e que dê ao crescer essa inocência e ingenuidade sincera que permite a expansão destes universos únicos.