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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

conversa de homem?

A publicidade dirigida a homens tem vindo a adaptar-se aos novos tempos. O homem continua à procura de uma redefinição de si próprio, enquanto género, e no meio da confusão a publicidade tenta acompanhar. Nem sempre com os melhores resultados. Para as mentalidades, para os produtos, para os destinatários.

Tudo isto a propósito da nova campanha da Dove, do produto Dove Men Care, que procura enfatizar a ideia de que um homem que se sente confortável com o homem que é, deve sentir igualmente uma pele confortável. "Sinta-se confortável na sua pele" é o mote com o duplo sentido que move a campanha.
No papel, parece-me um bom princípio. Há de facto um novo homem a surgir, que se reinventa todos os dias, que se adapta (bem ou mal) aos novos tempos, tentando não ser esmagado pelos estereótipos fundados. Começa a pouco a pouco o seu processo de emancipação.
No entanto, não gosto da concretização que vejo nos anúncios de TV a passarem actualmente em Portugal. Porque insistem na dicotomia, sempre na mesma eterna dicotomia, aqui materializada em força e cuidado, como se fosse estranho ou pouco credível as duas coisas coexistirem. No fundo, não consegue superar o que está a querer superar. E, no final, fica uma sensação estranha de que a marca está a querer sossegar os homens da sua virilidade - por amor de Deus, o homem que aparece a usar o produto até tem barba! A Dove parece estar a dizer "não vão ser menos homens por cuidarem da pele" - o que é verdade, mas que assenta num falso paradigma: a do homem a sério ser bruto e das "cavernas". Aqui fica o tal anúncio, infelizmente na versão português do Brasil, mas exactamente igual à nossa.





No entanto, como a Dove não anda de todo a dormir, como se sabe pelas campanhas que tem para mulheres, está a fazer evoluir o conceito e, no Super Bowl, já mostrou um novo anúncio bem mais interessante, porque brinca com as necessidades e as expectativas criadas em torno do que é ser homem.



Dentro deste imaginário, a Old Spice fez uma campanha que, a meu ver, é mais eficaz. Porque brinca com o estereótipo. Eventualmente, pode gerar mais anticorpos nalguns espectadores, mas eu acredito que o humor, o exagero e a ironia contribuem para uma superação do estereótipo e do preconceito. Aqui fica e podem encontrar mais aqui.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

fica bem na moldura

A Cruz Vermelha espanhola (Cruz Roja) fez uma acção em frente ao Museu Rainha Sofia, em Madrid, provando mais uma vez que a simplicidade de uma ideia pode ter um poder impressionante. Como tornar visível o que é ou se tornou invisível é uma questão fulcral no trabalho social. A indiferença instalada, o preconceito, a incapacidade de agir fundada muitas vezes no sentimento de impotência e frustração, têm de ser desmontadas. Como? Desocultando, criando novas e diferentes formas de olhar para um problema, confrontando o outro com a questão de um modo que não dê para respostas automáticas. Numa palavra, impossibilitar o virar de olhos. É uma excelente acção, muito simples mas, de certeza, com um impacto certeiro naqueles que a receberam.


Cruz Roja - Vagabundo from Javier Iñiguez de Onzoño on Vimeo.


Num outro registo, totalmente distinto e bem mais leve, chegou-me aos olhos este filme, em que a "moral da história" é que, realmente, não olhamos uns para os outros. Não prestamos atenção.

Dizem que lá fora é uma selva, mas na selva precisamos estar atentos para ver, o que não acontece realmente.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

The macho is here

O Wall Street Institute já nos tem brindado com algumas campanhas publicitárias bastante interessantes, normalmente apimentadas com humor (esta ou esta são bons exemplos). Desta vez, foram buscar o Zezé Camarinha, o expoente máximo do nosso macho latino, o pintas do pintas, e satirizam sobre o seu inglês.
Supostamente apreciado pelas nossas turistas bifas, o Zezé parece-me o embaixador perfeito para ilustrar o "bem falante" de inglês.

Esta campanha é desconcertante. Colocar o Zezé encarnando-se a si mesmo, expondo os seus dotes de de galã e de inglês, é uma tirada arrojada e cada vez mais rara. O risco de fazer publicidade cómica, sem ser com os Gato Fedorento, é falhar o alvo, ser brejeiro, básico ou pouco feliz. Neste caso e a meu ver, o WSI ganhou a cartada. Dá-nos um espelho, ainda que deformado, de nós próprios e pisca um olho a todos os que gostam de aportuguesar a língua inglesa. Depois de Lauro Dérmio, tudo é possível e ficamos com mais um bom exemplo.
Com este nível de publicidade, dificilmente o WSI terá concorrência à altura no ensino de inglês para adultos. Coisas destas não passam despercebidas e constroem uma percepção forte de uma marca, para durar por algum tempo.

Numa palavra, this stuff cativates à brave.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

prendas de Natal VI - o embrulho

Para terminar esta série e mandar definitivamente o Natal para 2009, fica um último post sobre as prendas inimagináveis e megalómanas, contrariando a tendência apresentada no post "prendas de Natal IV"
Todos nós, ou pelo menos alguns de nós, temos desejos "superlativos" e fantasiosos de mega-prendas. Alguns de nós, ou deles melhor dizendo, conseguem realizar esses desejos. Nós contentamo-nos, e bem, em realizar pequenos desejos, com intenções generosas de amor.
Mas os outros desejos existem, tal como as fantasias de "o que é que farias se ganhasses o euromilhões".
Pegando nisso, a Mini fez uma campanha pós-natal absolutamente fabulosa. Atacando mais uma vez a rua, intervindo directamente no quotidiano das pessoas, colocaram perto dos caixotes do lixo uma "embalagem" de um Mini, como se tivesse sido desembrulhada na noite de Natal. O impacto de um caixote de papel gigante no meio da rua é incontornável, provocando tanto estranheza como curiosidade. Podem ver o filme e mais imagens aqui.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

prendas de Natal II - Rosa Maria

A cozinheira das cozinheiras não é um livro de receitas comum. É um livro tipo, diria até típico, com receitas e tabelas que interessam a quem gosta de cozinha. Mas mais importante, é um livro marcante a nível cultural e antropológico, porque se dirige às "donas de casa" e porque tem uma marca única de autoria, não culinária mas moral. Não é à toa que está à venda na loja A Vida Portuguesa. Não é apenas o design retro que está em causa, mas a mentalidade retro.
Adorei esta prenda, refira-se. Porque me dá boas receitas, ao mesmo tempo que me garante excelentes momentos de humor.
Segundo a Bertrand, a primeira edição é de de 1998, mas isso não faz qualquer sentido. Não pode fazer, porque não quero acreditar que há 12 anos ainda se escrevia assim, embora se pudesse ainda pensar. A edição que tenho neste momento é a 32ª, o que faz da obra um verdadeiro best-seller.
Rosa Maria, a nossa guia pela cozinha das cozinhas, abre o seu livro com um elucidativo prefácio, entitulado "Às senhoras que dirigem a vida do lar". Lemos atentamente.
"Minhas Senhoras:
Ao apresentar uma série de receitas da arte de cozinhar e de fazer doces, tive a preocupação de somente pôr neste livro receitas práticas, facilitando às donas de casa a direcção mais importante do 'ménage', a alimentação."
Assim se inicia, com o primor dos primores, a obra das obras, com a autora das autoras, enfim A cozinheira das cozinheiras.
Prontos para a ménage?
Rosa Maria é a mais bem intencionada das senhoras que se dirigem às senhoras do lar. Há uma preocupação e ternura pela alimentação da família, que comove os leitores, abrindo-lhes o apetite. Continuemos pela leitura. Quando fala da alimentação das pessoas adultas, Rosa Maria faz uma distinção fundamental da nossa sociedade, e que deve evidentemente reflectir-se na alimentação: o labor da cidade e o labor do campo. Pois, como nos explica, a vida da mulher da cidade é "menos laboriosa do que a da mulher que trabalha no campo" e "não lhe dá grandes perdas de forças" - logo, deve "adoptar um regímen mais vegetal". Mas, atenção, Rosa Maria não anda distraída e recomenda que não se abuse desse regímen (???) "de um modo tão irracional como se está vendo frequentemente, e que tem sido a origem de inúmeros casos de anemias e de outras enfermidades gravíssimas." A autora das autoras adora superlativos, é uma cozinheiríssima.
Atentos, ou melhor atentas (como boas senhoras do lar), prosseguimos e, mais à frente, descobrimos o verdadeiro inimigo de Rosa Maria: as Bebidas Brancas. É certo que já tinha embirrado com o vinho, dizendo "Do abuso do vinho têm resultado terríveis enfermidades, como o delirium tremens, a loucura, doenças do fígado, etc., e não menor número de desordens e desgraças de ordem moral, que têm levado muitos homens ao degredo, à penitenciária e ao patíbulo." A mulher tem toda a razão, mas atentem a linguagem - que beleza, quantos de nós usam a palavra patíbulo? Talvez seja porque não há por cá pena de morte, mas adiante. Nada disto se compara ao repúdio pelas bebidas brancas, pois que, no caso do vinho, uma pinga até faz bem "unicamente à hora das refeições". Neste caso terei de transcrever todo o trecho, porque é pungente.
"Se o vinho, bebido em condenável excesso, pode e tem produzido frutos desgraçados de ordem física e moral, as bebidas brancas, por seu turno, têm dado aos hospitais, aos cemitérios e às prisões um contingente horroroso.
A bebida branca, inimiga implacável da economia animal [o que raio quer ela dizer?], é, contudo, às vezes proveitosa: - no mar, por exemplo, ou depois de um aguaceiro em que o vestuário não pode ser imediatamente substituído; mas toda a bebida redundará em prejuízo, quando o uso que dela se fizer for imoderado.
Repetimos: a bebida branca é um veneno, que todos os homens de dignidade devem repelir, pois que o uso desmedido dela serve apenas para enriquecer os hospitais de doidos, os obituários e as prisões."
Depois disso quem se atreverá a beber uma gota mais de gin tónico? Eu teria medo, não fosse dar-se o caso de não gostar de bebidas brancas.
A cozinheira das cozinheiras é o presente dos presentes, o superlativo absoluto que une história das mentalidades à arte de bem comer. Uma boa mesa pode não fazer um bom lar, mas ajuda à boa vida.



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

prendas de natal I - modelos a seguir

De regresso à realidade dos horários e das obrigações laborais, decidi manter um pouco do espírito iniciando uma pequena série sobre presentes de natal. Meus e outros que vi por aí. É só uma semaninha para ir voltando aos poucos, pois cada vez parece mais difícil.

Para primeiro post, queria falar de um fenómeno extraordinário, associado aos telemóveis.
Contexto: recebi um telemóvel novo no Natal. Lindo, LG, slide... sofisticadíssimo com aquela parte para cima e para baixo. Um must! Ao fim de dois dias, aconteceu algo bizarro: o teclado ficou esquisóide. Não é coisa que se veja muitas vezes, o desaparecimento das teclas 2, 5, 8 e 0, sem paradeiro à vista. Obviamente, fomos trocá-lo. E que aventura foi. Pois um pequeno risco ia comprometendo tudo. Mas, com muitas voltas, a coisa resolveu-se e, ao fim de 2h30 consegui sair do estabelecimento comercial de grande superfície. Feliz ou infelizmente, não fui capaz de trazer o mesmo modelo (havia um trauma para superar) e optei por um Nokia que, apesar da menor sofisticação e de não ter nenhuma parte a movimentar-se, me oferece uma sensação de segurança e, ao mesmo tempo, a possibilidade de ter muitas e muitas músicas.
Fim de contexto.
O fenómeno sobre o qual me queria debruçar tem a ver com aquela parte do menu das mensagens pré-definidas. Aquelas que dizem, por exemplo, "Estou atrasado. Chego às...", "Estou em reunião", "Vejo-o às...", "Reunião cancelada". São modelos de mensagem que o utilizador poderá usar perdendo o mínimo de tempo possível. Ora, há telemóveis, como o meu, que decidem facilitar todo o tipo de mensagem. Já tinha tido um que tinha um modelo com o seguinte texto "Amo-te". Mas este que tenho agora é mais adequado, em vez de dizer isso directamente, diz "Também te amo", o que me parece bastante mais honesto, dentro da desonestidade de enviar um modelo pré-definido com uma mensagem de amor. Sempre facilita mais as coisas a quem não sabe bem o que há-de responder a uma declaração de amor. Oh merda, o que é que se diz numa situação destas? Hum... não é "Estou atrasado", nem "Estou em reunião", isso eu sei... Hum... "Também te amo" parece-me bem. Lá está, facilita e descomplica o uso de SMS românticas.
O meu telemóvel também tem dois outros modelos mais no tom pessoal, o "Obrigado" e o "Parabéns", revelando igualmente como se pode ajudar à espontaneidade dos sentimentos. Mas nada, a meu ver, bate o "Também te amo".
Não percebo como ainda não têm outras opções como "Feliz Natal", "Bom Ano Novo", "Os meus Pêsames", "Tenho muito orgulho em ti, filho", "Odeio-te", "Não me ligues mais", "Desejo-te", "Ontem à noite foi maravilhoso", "Só penso em ti", "Tenho saudades"... São tantas as possibilidades, pensem nisso, e depois gravem um modelo no vosso telemóvel. A banalização pode ajudar.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

publicidade que sobressai

Anda para aí uma campanha muito inteligente de roupa interior masculina. Com piada, irreverência e simplicidade, a unno fez um mupi que funciona na perfeição. Confesso que, quando o vi pela primeira vez, pensei que havia para aí muito vandalismo à solta, mas afinal não.

Com um sugestivo copy, "Conforto que sobressai", temos uma comum foto de um modelo masculino em "trajes menores" mas com um excelente twist: o mupi está aparentemente estilhaçado na zona genital do homem.
Esta campanha consegue plenamente satisfazer os seus targets: os homens, porque percebem que podem parecer "avantajados", qualidade que muito estimam, e ao mesmo tempo sentirem-se confortáveis; e as mulheres heterossexuais, porque acham graça à ideia de oferecer uma "tanguinha" cuja diferença "salta" à vista.
Será brejeiro? Nada disso. É inteligente, apela a "valores" instituídos e enraizados, sem fazer mal a ninguém. Fala directamente ao "coração" de quem se destina.
O facto deste post estar cheio de aspas é significativo, claro. A campanha está carregada de um duplo sentido, totalmente óbvio, mas essencialmente brincalhão, como as pessoas gostam. Toda a gente adora fazer trocadilhos sexuais inofensivos, é uma espécie de paródia ensaiada de salão em que todos se sentem confortáveis com as insinuações.
Esta campanha é uma insinuação brincalhona, que não se "arma aos cucos" como a maior parte da comunicação de roupa interior. Ninguém está à espera de "sobressair" tanto, mas quase todos gostam de brincar sobre isso.
Até agora, parece-me a campanha de "Natal" (estas aspas são só para enganar) mais bem conseguida. Utilizam-se os meios convencionais de uma forma original e simples, sem medos que o produto "não se veja" ou que a mensagem não seja suficientemente "sexy". É inteligente e básica ao mesmo tempo, o que, a meu ver, é um talento.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

uma grande aventura

Este sábado, fui assistir ao espectáculo D. Afonso Henriques no Teatro Nacional D.Maria II. Esta revisitação ao repertório do Bando revelou-se um daqueles momentos de encontro perfeito de uma peça com o seu público. Reencenado vezes sem conta desde 1982, este espectáculo infanto-juvenil tem agora, na sua mais recente encenação, alguma da nata dos jovens actores "associados" ao Bando. Guilherme Noronha faz um espectacular Afonso Henriques, cómico e possante como só ele pode ser e todo o restante elenco (a minha Sara de Castro, Ana Brandão, Nicolas Brites e Miguel Jesus) contribui para uma festa de teatro, em que todos podemos entrar para passar um tempo de excelência e diversão.

Com inteligência, humor e um sentido apuradíssimo do que é um teatro envolvente e motivador para o público, João Brites consegue mais uma vez trazer-nos um espectáculo doce, violento, cómico, trágico, tudo num só trago, no formato mais feliz de todos: para crianças. Eu fui com duas e foi um fartote. A excitação foi tal que tivemos espadarias até à noite. Para maiores de seis, a partir daí é para todos, D. Afonso Henriques mistura a História "oficial" com memórias e relatos alternativos e com alguns perlimpimpins do improviso e gozo dos actores. Tudo com música, muita alegria e bravura.
A ver e a rever. Porque uma peça do Bando nunca termina de facto. Essa é uma das suas grandes virtudes.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

todos e todas de pé

Existe a velha piada da criação em que Deus confrontou Adão e Eva com a seguinte proposta: (ler com voz divina) "Tenho duas aptidões especiais para distribuir por vocês, marcando assim o vosso sexo para toda a eternidade!" Adão e Eva aguardaram expectantes. Deus continuou: "Uma delas é o poder de mijar de pé...". Adão interrompeu-o logo, muito entusiasmado: "Eu quero essa, quero poder mijar de pé". Deus, sempre muito calmo e tolerante antes do surgimento das alterações climáticas, disse-lhe: "Mas, Adão, ainda não vos disse qual é a outra.". Adão não queria saber e insistiu ficar com essa habilidade extraordinária, antevendo já anos e anos de mijadelas para árvores, cantos e onde quer que lhe aprouvesse. Como a Eva não parecia muito preocupada com isso, Deus assentiu e deu a Adão o dito poder, para logo em seguida dizer: "Sendo assim, Eva, ficas tu com os orgasmos múltiplos".

Anedotas e mitos à parte, surge agora no mercado, trazido pelos americanos é claro, um novo produto que permite às Evas e às outras mijarem também de pé. Chama-se Go Girl e é um mecanismo (simples até) que permite a uma mulher fazer chichi sem ter de se preocupar em arranjar uma casa-de-banho. Supostamente muito prático e higiénico, o objecto é claramente mais um passo de emancipação. Mesmo que nos pareça supérfluo ou desnecessário, a verdade é que todo o conceito do produto assenta na ideia de autonomização da mulher. Com uma assinatura de produto que diz "Don't take life sitting down", que é algo como não leves a vida a sentar-te, este torna-se mais um veículo de empoderamento das mulheres. Tal como dizem, "You won’t be like a man. You’ll just pee like one.", ou seja, não haverá nada que não possas fazer como ele. Independentemente de querer ou não mijar de pé, poderei fazê-lo. O próprio nome é um sinal desse empoderamento.

Trata-se de um produto comercial e, nesse sentido, torna-se ainda mais fascinante, pois inevitavelmente sugere que o mercado está preparado para isto. As mulheres estão preparadas para isso. Já não aceitam simplesmente as "aptidões que Deus lhes deu" (mesmo que sejam muito boas) e vão à procura de novas, desafiando o que está convencionado e o que é "naturalmente" o seu limite.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Diverte-te

A teoria é simples: a diversão muda o nosso comportamento, isto é, se algo nos diverte fazemo-lo com mais facilidade. Chama-se The fun theory e é uma iniciativa da Volkswagen.
Através de um conjunto de experiências, reúnem pequenas provas desta grande teoria. E, bem feitas como estão, é claro que só podiam resultar.
A iniciativa é mais que uma acção viral. Tem um concurso incluído (até 15 de Novembro, corram!) para ideias loucas e divertidas que ajudem a alterar comportamentos. E se forem delirantes ainda melhor.
A imaginação que esta equipa colocou nestes três exemplos que mostro em baixo podia ajudar-nos a salvar o mundo, parece-me. Com tempo e orçamento, nada como a diversão para pôr as pessoas a fazer o que é preciso. Haja alegria e boas ideias.
A Volkswagen, por outro lado, consegue notoriedade e aumenta a boa onda do consumidor em relação à marca. Admiro sempre o arrojo de certas iniciativas que, no final, se revelam absolutamente redondinhas, cativantes, fascinantes e, quem sabe, alteradoras de comportamentos. Uma grande ideia gera gozo e mais potencial criativo. E aquilo que acontece em Estocolmo passa a ter repercussões globais. Todos podemos partilhar enfim o fascínio pela brincadeira e pela simplicidade.








segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Era bom, não foi!

Mais uma vez, Tarantino vem fazer das suas. Com muito sangue, crueldade, vingança e um humor fora do normal. Habituámo-nos a entrar no seu olhar cinematográfico que encena situações absolutamente inusitadas, muitas vezes absurdas, mas com um toque tão real e casual que temos de acreditar. Gangsters a discutir Madonna ou os nomes da McDonald's na Europa, assassinas mestres do kung-fu vestidas em fato-de-treino, miúdas giras e duplas a darem cabo de um serial killer, numa apoteose de violência incompreensível mas também absorvente, prendem-nos, fidelizam-nos e, a mim, deixam-me verdadeiramente banzada (este é mesmo o termo técnico). E tudo, sempre, mas sempre, regado com diálogos brilhantes. Diálogos reais e espirituosos, que me fazem babar de inveja pelo seu valor dramático despudorado, que fazem rir os espectadores, prendendo-os, suspendendo-os.

Os "Inglorious Basterds", desta vez, levam-nos ao martírio da suspensão, deixando-nos sem respirar e com o coração demasiado acelerado. Tudo é, mais uma vez, excessivo e carregado de momentos exasperantes, selvagens, cómicos e violentos. E no mais tenebroso dos cenários: a França nazi.
A violência, neste caso, é muito mais próxima, muito menos cómica, porque é reconhecível. Temos o imaginário cheio de histórias de nazis e, no fundo, odiamo-los tão profundamente que este filme nos enche as medidas também por isso. Tarantino oferece-nos um cenário "perfeito" de devastação nazi, com um fim excepcional, em que todos os grandes nazis morreriam à mão de si próprios e de uma judia. É delirante a fazê-lo, obviamente. Mas são sempre assim os filmes dele, um verdadeiro delírio que não é filmado como tal. É filmado contando-se de forma incrível a história.
Nesta demanda, Tarantino teve uma preciosidade, muito para além de Brad Pitt. O vilão Hans Landa (Chrishtoph Waltz) dá-nos os grandes momentos do filme, tornando-se inacreditavelmente o melhor do filme todo. As mulheres também voltam a cumprir o seu papel, mas não ocupam o mesmo lugar cimeiro que tiveram no Kill Bill ou no último Death Proof. Este bando de homens "sacanas sem lei" estão mais próximos dos Cães Danados. Seja como for, o brilhantismo volta a ser a marca de Tarantino, mesmo que, desta vez, ele ainda nos tenha massacrado nós. Mas, se não fosse assim, sem um bom massacre, não seria Tarantino.
Deixo-vos o trailler principal e um outro com o monólogo brilhante do nosso vilão copinho de leite.




quarta-feira, 7 de outubro de 2009

colados para a vida

Muito se fala, estuda, analisa, comenta, idealiza, sistematiza, teoriza sobre o facto de haver casais que vivem juntos uma vida inteira. É claro que um certo cinismo, bem aplicado em determinados casos, pode apontar para factores externos oportunistas que levam casais a permanecer juntos. De qualquer modo, encontrando casos bem sucedidos, o enigma pode instalar-se, levando equipas a formar opiniões científicas de todos os ramos para sustentar teorias. Na verdade, isso pouco interessa, porque até hoje ninguém se tinha lembrado desta. É tudo uma questão da cola que se usa, como podemos constatar neste anúncio (se clicarem na imagem podem ler o copy: long lasting glue - cola com efeito prolongado).



Uma boa cola com efeito duradouro, como esta, pode fazer milagres. Esta campanha, com o sentido de humor bem apurado, levanta o véu desta questão, revelando essa ponta de cinismo que a nossa sociedade tão bem alimenta.
Mas o que gosto mais desta ideia é mesmo essa possibilidade de encontrarmos a cola certa. E aqui cola quer dizer tudo aquilo que colocamos entre nós que nos aproxima. Tudo aquilo que faz do dia-a-dia um motivo de proximidade, intimidade e cumplicidade. Não é à toa, parece-me, que todas estas palavras terminam com idade, como se a vida nos desse tempo para a absorvermos bem, para crescermos e enriquecermos com aquilo que ela nos dá.
Às vezes, não precisamos de pensar no efeito prolongado da "cola", podemos simplesmente aplicá-la e ver quão boa ela é, aproveitando a sua capacidade de nos fazer permanecer em contacto (muito próximo) com prazer.
Há anúncios que têm este condão de despertar reflexões, mesmo quando são tolos, cómicos e um pouco idiotas. Ou então é só dos olhos. De qualquer modo, sabe bem colar.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

sem tronco nem membros

As campanhas virais estão a crescer, acompanhando a crescente adesão aos novos modos de comunicação, entretenimento e redes sociais. Hoje em dia, uma marca pode ter um sucesso estrondoso apenas pelo passa a palavra, que agora é mais conhecido por post e emails e chats. Para atingir um determinado tipo de audiência, já não precisa de spots publicitários, nem de outdoors nem de mupis nem de anúncios de imprensa. Basta simplesmente estar na internet com uma acção, filme, jogo, suficientemente diferenciadores para pôr "todo o mundo" a clicar.

Tudo isto a propósito do Quique The Head, uma campanha da Diesel que tem tudo de absurdo como de genial. E não é exagero. É a história de uma pessoa que nasceu só com cabeça e que, agora, tem a oportunidade médica de arranjar um corpo. O vídeo que fizeram retrata a vida do sujeito, o Quique, e é hilariante.
O que é desafiante nesta nova forma das marcas comunicarem é a quase total liberdade. As ideias absurdas, inteligentes, sinistras, bizarras, têm lugar, sem serem à partida barradas por limitações de formato e de critérios de comunicação para as massas. Quantas vezes um criativo já ouviu a frase "as pessoas não vão perceber", chumbando à partida determinada ideia por ser pouco convencional? É uma constante.
Parece-me igualmente desafiante porque nem todos estarão preparados. É difícil desformatarmo-nos desses códigos conhecidos e convencionados e apostarmos na explosão de ideias com efeito viral explosivo, porque o caminho está ainda muito por trilhar. Na verdade, o trabalho criativo da comunicação (e não só) passa também por conhecer esses códigos e as possibilidades "lógicas" de cada projecto a desenvolver. Esta audácia, no percurso profissional, foi muitas vezes apagada, colocando-nos muitas vezes em posição de defesa e algum conformismo.
Surgirem estes desafios e conseguirmos agarrá-los nem sempre é fácil, mas acho que esta campanha da Diesel dá-nos uma "pica" renovada para perdermos a cabeça.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Amar as mamas

Objectivar (tanto de forma estética como sexual) as mamas para depois dizer que é preciso salvá-las é um acto arrojado, porque politicamente muito incorrecto. Mas é isso que faz esta campanha viral da associação canadiana Re-think Breast Cancer, com intenção de envolver e chamar a atenção para a questão do Cancro da Mama.
A Campanha "Save the Boobs!" integra-se no projecto Boobyball, cuja missão é inspirar novos filantrópicos para a causa, e com certeza consciencializar uma nova geração para a doença.
Dentro desse espírito, o evento preparado para 2 de Outubro é um cruzeiro em que se promete verdadeiramente festa.
Toda a abordagem à temática é disruptiva. Foge de qualquer cliché de campanhas contra o Cancro e fomenta uma atitude meio louca em relação ao assunto. Mas aí é que está o busílis: a prevenção deve ser uma festa. Qualquer que seja o cancro. Mas neste caso, tratando-se de maminhas, o elogio da festa parece mais fácil.


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Porque é bom?!

Os americanos lembram-se de tudo, e no Texas ainda deve ser melhor. Na Universidade desse estado, lembraram-se de fazer um estudo para saber por que é que as mulheres têm sexo. O estudo englobava também os homens, mas o artigo destaca mais as mulheres, talvez por um imediatismo preconceituoso de que os homens têm sexo porque tem mesmo de ser, e as mulheres é por mistérios insondáveis.
Ao ver algumas das razões destacadas, vemos uma panóplia tal de possibilidades que intuímos que o estudo não dá nenhuma resposta generalista (até porque dificilmente poderia), mas apresenta sim aos leitores um rol de motivos de terceiros para terem sexo. Não acrescenta muito, a não ser material para conversa e coscuvilhice.
A propósito dessas "grandes questões" (ou seja, mantendo o grau de superficialidade do estudo), recordo-me de uma parte da peça Caveman (de novo em cena), em que ele diz algo como "ao fim de 10 mil anos, a mulher conseguiu manter o mistério. E o homem?".
Vai daí, ponho-me a pensar nesse grande caminho de emancipação que os homens têm de percorrer. Será que ninguém quer saber por que é que eles têm sexo?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

amar o monstro

Há anúncios que são brilhantes, anúncios que fogem ao convencional, que arriscam ao ponto de perdermos o referencial em causa (neste caso um carro) para sermos unicamente cativados pelo filme em si.
Adorei este anúncio, e mais uma vez tem a assinatura aqui dos nossos hermanos do lado. Arriba arriba!


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

estereótipos, humor e chocolates

A questão de género é decisiva para resolver uma série de problemas estruturantes da nossa sociedade. O reenquadramento das relações homem-mulher, o desvelar dos estereótipos e a capacidade de nos reinventarmos, livres de pré-determinações como "um homem não chora" e "uma mulher deve ser passiva e boa dona-de-casa", é crucial para uma sociedade mais equilibrada, justa e livre.
Paralelamente a isso, a relação homem-mulher inspira livros, filmes, quadros, esculturas, anúncios, blogs, anedotas, dizeres populares, etc., etc.. Há toda uma cultura de relação homem-mulher capaz de desenhar cenários trágicos, românticos, cómicos,... É uma fonte infindável de inspiração, pois nela se funda o motor de muitas vidas. É determinante e intransponível (dentro da assumpção de género) a diferença dos sexos.
A construção social, tal como a conhecemos, pressupõe essa diferença. A construção vai mudando, vai-se adequando a novos estereótipos, mas mantém-se a diferença. Essa pode ser ou não perigosa e bloqueadora das liberdades individuais. Por outro lado, pode ser criativa e libertadora. Nada disto, é preto ou branco. A capacidade de definir uma construção social como tal é já um passo em frente para podermos livrar-nos dela, destruí-la, reconstruí-la - cabe dar as ferramentas dessa emancipação. A liberdade de escolher.
Pelo meio, há a publicidade, que vai conseguindo ou não subverter ou aproveitar esses estereótipos para conseguir os seus objectivos. Quando o faz com humor, vale a pena. Como esta campanha da Cadbury, nestes 3 filmes muito cómicos.






sexta-feira, 31 de julho de 2009

Orgasmem-se

Hoje é dia mundial do orgasmo. Uma boa desculpa para celebrar, investir e procurar novos e melhorados orgasmos. Dizer Viva o Orgasmo, como quem reconhece o valor da paixão, do sexo e, por que não?, do amor.

Esta ideia nasceu, é claro, com intenções comercias - um grupo de sex-shops do Reino Unido esgalhou este novo motivo para se ir à caça de brinquedos sexuais. Por mim, tudo bem. Acho saudável. E, já agora, não seria um bom motivo de feriado? Um dia inteiro para celebrar o êxtase, olha que ideia benemérita e cativante. Para quem tenha mais dificuldades (infelizmente é um problema bastante mais comum do que se possa pensar), seria um dia de exploração e conhecimento (auto e mútuo).

Há quem ande a promover um orgasmo global a 21 de Dezembro de 2009, a favor da paz. São sempre ideias bem-vindas. Não porque precisemos de desculpas, mas sim porque há momentos individuais que devem ser valorizados ao nível da humanidade. Somos mais humanos quando temos um orgasmo? por que não?

A favor da verdade do orgasmo e para nos rirmos um bocadinho, cá vai uma cena mundialmente famosa de um orgasmo falso. Em casa, experimentem à séria. Quem diz em casa, diz na praia, no campo, no comboio, no avião... onde vos aprouver. Bons orgasmos, bom prazer!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Pôr os miúdos a mexer

Quando pensamos em actividades desportivas nas crianças pensamos muito mais no presente do que no futuro. Mas sabemos que a aprendizagem de um desporto possibilita a aquisição de novas competências sociais e, no caso da natação, até achamos que pode ser realmente útil para a sua sobrevivência.

Mas fazemo-lo a um nível muito objectivo sem especularmos sobre quais são realmente as competências que lhes vão valer no seu dia-a-dia futuro. Esta campanha ajuda-nos, com humor, a visualizar um hipotético futuro de uma criança que não praticou desporto.
A ver, são curtinhos e cómicos...








segunda-feira, 27 de julho de 2009

senhor(a) de farda

Nota prévia: este post será um bocado parvo.

Agora que a zona do meu emprego sucumbiu às garras da EMEL, entrei em grande reflexão. Não devido à questão do congestionamento urbano ou dos problemas de estacionamento da cidade, porque nesse aspecto estou resolvida. Acho muito bem que usem todos os meios possíveis para diminuir o tráfego de Lisboa. Eu é que ainda tenho de fazer uma aprendizagem pessoal nesse sentido, mas para lá caminho - lentamente, é certo, mas não tanto como o ritmo para atravessar o Tejo numa tarde de Verão.
A minha reflexão é de outra ordem. Toda a gente sabe, ou pelo menos devia saber, que ser funcionário da EMEL é ter uma profissão de risco. Espero que paguem bem aos rapazes e raparigas, porque, segundo consta, dois por dia sofrem tentativas de atropelamento. Um dia normal no stressante trânsito desta cidade.


Quando vimos estas fardas, temos vontade de fugir, não só porque podemos ser vítimas colaterais dos atentados, mas também porque temos de chegar antes deles ao nosso carro. Há outros que devem ter logo vontade de correr para cima deles, mas são géneros diferentes de pensar.
Pensando nesta coisa da perseguição, lembrei-me das testemunhas de jeová, mas esses não têm farda. Logo não é a mesma coisa. Mas por outro lado, há os mórmon elders que embora mais raros têm igualmente este ar dúbio de funcionário da EMEL: não sabemos se irão passar-se e bater em alguém ou se serão mais uma vez atacados pela roupa estranha que estão a usar. Ambos têm papéis na mão que não queremos que nos passem e definitivamente querem cumprir a sua missão.


Todos estão a querer fazer o bem, disso não tenho dúvidas. De uma forma, por vezes, chocantemente obtusa e absurda, mas ainda assim propondo-nos novos hábitos, novas formas de viver.
É caso para dizer: sigamos os senhores e, de preferência, que não seja para atropelá-los.