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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Um livro bolha-cósmico


Lucía Etxebarría é uma autora com visão do mundo. Uma visão que me agrada. Desde a desconfiança inicial que senti com um dos seus primeiros livros Amor, Curiosidade, Prozac e Dúvidas - os best-sellers têm esse efeito em mim - rapidamente me cativou assim que me dispus a abrir um livro dela e lê-lo. As suas reflexões sobre as mulheres, o seu feminismo moderno, descomplicado e directo, a sua ausência de preconceitos face à cultura "pop", da qual no fundo faz parte, o seu humor, foram algumas das qualidades que me conquistaram nesta espanhola com nome difícil de dizer.
Há uns sete/oito anos cruzei-me com ela numa fnac. Havia uma daquelas sessões de autógrafos e apresentação de livro (já não me lembro qual), mas devido a um erro no horário na agenda, não apareceu ninguém. Ela lá estava, rodeada com a agente e algumas pessoas da fnac, sentada numa das cadeiras do público a fazer colares de missangas. Na altura, fascinou-me a figura dela, o ar meio desalentado que tinha mas igualmente resignado e disposta a passar por aquilo fazendo mais um colar. Era cómico e doce, lá está. Assinou-me uns livros, trocámos umas palavras e falámos sobre o Caetano Veloso, concerto a que eu assistira na véspera e que ela gostaria de poder ver no concerto do mesmo dia. Enquanto falava comigo mantinha as missangas na mão. De algum modo, aquilo que ali aconteceu tinha tudo a ver com ela. Uma espécie de poesia do dia-a-dia sem grande charme, sem grande cosmética, muito real.
Diz-se realista. Há pouco, encontrei uma entrevista dela porque estava intrigada com este Cosmofobia, que me pareceu demasiado real, mas que depois me esclareceu sobre os seus fundamentos. Na entrevista, Etxebarría fala do seu realismo, daquilo que quer para o seu país, da sua filha e, agora, da sua incursão pela literatura infantil - acho que é uma tentação irresistível para os escritores que têm crianças na sua vida. E às tantas diz "Me gusta muchísimo bailar, creo que es lo que más me gusta en el mundo junto con escribir y hacer el amor." - e eu adoro estas coisas, porque unem a liberdade, a verdade e a alegria. Gosto deste seu realismo real em vez de negro ou simplesmente prosaico.
Etxebarría também é poeta, embora só conheça a sua poesia em castelhano, já que não há nenhuma poesia dela publicada em Portugal. Lembro-me que, até há pouco tempo, os seus livros vinham com uma manga com umas declarações dela numa entrevista em que dizia algo como "sou um ser absolutamente sexual". Acho que foi sempre nesse prisma que a tentaram vender por cá. Aborda a sexualidade de forma directa e fá-lo bem. Mas há muito mais que isso.
Bom, e agora o livro, não?
Não foi o livro que mais gostei dela, mas não deixa de ser cativante. A autora discorre sobre as histórias do seu bairro madrileno, Lavapiés, um "melting pot", em que só existe multiculturalidade e pouca interculturalidade. Com histórias cruzadas, que muitas vezes confundem o leitor, a obra no final marca esse ponto - o de mantas de retalhos em que poucas vezes as ligações são reconhecidas, pelos próprios actores da narrativa. Estamos todos ligados e todos ausentes e auto-excluídos dessa ligação.
O livro tem momentos muito fortes e leva-nos para a torrente das emoções humanas, para as dificuldades de viver e de nos relacionarmos. Como ela diz, na entrevista citada, são personagens que não encontram o seu lugar no mundo, que não se integram. À brutalidade de certas situações junta a magia do invisível noutras.
É isso que gosto nela, essa visão tão clara sobre o mundo, mas tão pouco dogmática e tão aberta a ele.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

paixão com prazer

Há muito tempo que os cadernos Moleskine se tornaram um objecto de culto. Hoje, não existe um tipo de caderno ou agenda, existem dezenas de possibilidades para usar uma Moleskine. Para escrever, para desenhar, para pintar, para fazer o planeamento semanal, para pôr os contactos, para registar viagens, para fazer storyboards, cadernos japoneses, lisos, quadriculados, pautados, A4, A5, A6... um mundo inesgotável.

O detalhe, a atenção pelo consumidor e a lenda tornam qualquer Moleskine irresistível.
Agora lançaram uma nova colecção: Moleskine Passions. Os cadernos das paixões dividem-se em Livros, Filmes, Vinhos, Receitas, Música e Bem-estar.


Mais uma ideia brilhante para cativar a malta. Porque alia o carácter emblemático da Marca às paixões de cada um, tornando o objecto ainda mais irresistível.
Os vídeos de apresentação também são uma delícia. Deixo-vos aqui o dos livros e podem ver os outros por aqui.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

The macho is here

O Wall Street Institute já nos tem brindado com algumas campanhas publicitárias bastante interessantes, normalmente apimentadas com humor (esta ou esta são bons exemplos). Desta vez, foram buscar o Zezé Camarinha, o expoente máximo do nosso macho latino, o pintas do pintas, e satirizam sobre o seu inglês.
Supostamente apreciado pelas nossas turistas bifas, o Zezé parece-me o embaixador perfeito para ilustrar o "bem falante" de inglês.

Esta campanha é desconcertante. Colocar o Zezé encarnando-se a si mesmo, expondo os seus dotes de de galã e de inglês, é uma tirada arrojada e cada vez mais rara. O risco de fazer publicidade cómica, sem ser com os Gato Fedorento, é falhar o alvo, ser brejeiro, básico ou pouco feliz. Neste caso e a meu ver, o WSI ganhou a cartada. Dá-nos um espelho, ainda que deformado, de nós próprios e pisca um olho a todos os que gostam de aportuguesar a língua inglesa. Depois de Lauro Dérmio, tudo é possível e ficamos com mais um bom exemplo.
Com este nível de publicidade, dificilmente o WSI terá concorrência à altura no ensino de inglês para adultos. Coisas destas não passam despercebidas e constroem uma percepção forte de uma marca, para durar por algum tempo.

Numa palavra, this stuff cativates à brave.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

tempo para jogar

Sou uma verdadeira fã de jogos de "salão". Desde cartas, damas, xadrez até aos jogos de tabuleiro, sem deixar de passar pelos de computador (mesmo não perdendo grande tempo nem dinheiro com estes), não há nada que à partida não me atraia.
Recentemente, pude jogar à versão mais actualizada do Monopólio, um dos meus jogos favoritos de todos os tempos. Jogo Monopólio desde catraia e, até agora, duvido que haja um jogo que alie de forma tão perfeita o prazer da competição, a necessidade estratégica, o poder da negociação e a noção social capitalista. Esta última parte era dispensável, bem sei, mas a verdade é que, desde de tenra idade, sonho com a possibilidade de viver de rendas.
O Monopólio actual tem algumas das propriedades do meu tempo, mas foi actualizado. Já não há Avenida Luísa Todi (lamento Setúbal), mas há ruas do Parque das Nações. Os escudos foram-se embora e o dinheiro não é em euros, mas o seu valor remete para aí. A estrutura continua a mesma, assim como as regras, mantendo qualquer antigo jogador como um jogador apto para os dias de hoje.


Gosto do jogo e estou sempre disponível para jogar. Mas, agora, o que me apetece jogar é outro.
Foi criado, por "We are sailing Board Games" com design da "Hello Monday", o Copenhagen Board Game. O jogo inspira-se em jogos como o Monopólio, mas o seu objectivo é bastante melhor: pegar na nossa bicicleta e tentar fazer uma Copenhaga mais sustentável. Com um design especial e com uma missão deveras responsável e pedagógica, parece-me ser o jogo perfeito para espalhar pelo mundo.
Gostaria bastante de o ver nas mãos, de jogar com as crianças e, já agora, ganhar - que tem também muita piada.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

prendas de Natal III - envelopes personalizados

A estratégia do envelope como presente apurou-se e hoje o "envelope" pode ser uma prenda ainda mais espectacular. A verdade é que o acto de oferecer dinheiro segue acompanhado de alguns constrangimentos. À partida, quem recebe gosta, mas, normalmente, quem dá receia que possa ser pouco personalizado ou indiciar falta de interesse. Talvez por isso, é uma prenda que associamos aos avós, pois o reconhecimento da diferença geracional é positivo e oferecer um envelope indicia preocupação, "compra alguma coisa que gostes". O envelope, durante anos, foi o presente que nunca falha, mas sem nunca ser "quentinho". Ainda continua a ser, mas agora há um novo mundo de possibilidades em presentes que nunca falham: os vouchers.
Dêem-me um voucher e ficarei feliz, é o meu mote.
Tudo começou com os cheques-disco, cheques-prenda, mas hoje a palavra voucher carrega mundos, em vez de vales. É um presente que garante a quem dá e a quem recebe a mais pura e desejada sensação de presente: a satisfação. Quem dá, imagina que está a dar um fim-de-semana, uma massagem, uma experiência radical - algo real e que se vislumbra concretizável especificamente para aquela pessoa. E quem recebe, vê-se com algo nas mãos à partida totalmente desejável, com a antecipação da felicidade, a expectativa crescente sobre o momento da realização. Parece publicidade ao conceito, mas na verdade não é. É mais o reconhecimento do sucesso e eficácia da ideia. Pois, o acto de dar e receber resulta no momento - não é escasso e envergonhado como no envelope, em que há pudor de ver o interior à vista de terceiros e que o resultado final (para que servirá o dinheiro) ainda não está definido. Com o voucher, mesmo que não seja efectivado, o acto de presentear resulta por si mesmo.
O conceito, obviamente, tem sofrido multiplicações e mutações. Hoje, o mercado dos vouchers é competitivo e busca inovações muitas vezes inesperadas e, ao primeiro olhar, despropositadas.
No final, compensa. Pois um presente é também a doce expectativa de o gozar e, neste caso, funciona na perfeição.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

prendas de Natal II - Rosa Maria

A cozinheira das cozinheiras não é um livro de receitas comum. É um livro tipo, diria até típico, com receitas e tabelas que interessam a quem gosta de cozinha. Mas mais importante, é um livro marcante a nível cultural e antropológico, porque se dirige às "donas de casa" e porque tem uma marca única de autoria, não culinária mas moral. Não é à toa que está à venda na loja A Vida Portuguesa. Não é apenas o design retro que está em causa, mas a mentalidade retro.
Adorei esta prenda, refira-se. Porque me dá boas receitas, ao mesmo tempo que me garante excelentes momentos de humor.
Segundo a Bertrand, a primeira edição é de de 1998, mas isso não faz qualquer sentido. Não pode fazer, porque não quero acreditar que há 12 anos ainda se escrevia assim, embora se pudesse ainda pensar. A edição que tenho neste momento é a 32ª, o que faz da obra um verdadeiro best-seller.
Rosa Maria, a nossa guia pela cozinha das cozinhas, abre o seu livro com um elucidativo prefácio, entitulado "Às senhoras que dirigem a vida do lar". Lemos atentamente.
"Minhas Senhoras:
Ao apresentar uma série de receitas da arte de cozinhar e de fazer doces, tive a preocupação de somente pôr neste livro receitas práticas, facilitando às donas de casa a direcção mais importante do 'ménage', a alimentação."
Assim se inicia, com o primor dos primores, a obra das obras, com a autora das autoras, enfim A cozinheira das cozinheiras.
Prontos para a ménage?
Rosa Maria é a mais bem intencionada das senhoras que se dirigem às senhoras do lar. Há uma preocupação e ternura pela alimentação da família, que comove os leitores, abrindo-lhes o apetite. Continuemos pela leitura. Quando fala da alimentação das pessoas adultas, Rosa Maria faz uma distinção fundamental da nossa sociedade, e que deve evidentemente reflectir-se na alimentação: o labor da cidade e o labor do campo. Pois, como nos explica, a vida da mulher da cidade é "menos laboriosa do que a da mulher que trabalha no campo" e "não lhe dá grandes perdas de forças" - logo, deve "adoptar um regímen mais vegetal". Mas, atenção, Rosa Maria não anda distraída e recomenda que não se abuse desse regímen (???) "de um modo tão irracional como se está vendo frequentemente, e que tem sido a origem de inúmeros casos de anemias e de outras enfermidades gravíssimas." A autora das autoras adora superlativos, é uma cozinheiríssima.
Atentos, ou melhor atentas (como boas senhoras do lar), prosseguimos e, mais à frente, descobrimos o verdadeiro inimigo de Rosa Maria: as Bebidas Brancas. É certo que já tinha embirrado com o vinho, dizendo "Do abuso do vinho têm resultado terríveis enfermidades, como o delirium tremens, a loucura, doenças do fígado, etc., e não menor número de desordens e desgraças de ordem moral, que têm levado muitos homens ao degredo, à penitenciária e ao patíbulo." A mulher tem toda a razão, mas atentem a linguagem - que beleza, quantos de nós usam a palavra patíbulo? Talvez seja porque não há por cá pena de morte, mas adiante. Nada disto se compara ao repúdio pelas bebidas brancas, pois que, no caso do vinho, uma pinga até faz bem "unicamente à hora das refeições". Neste caso terei de transcrever todo o trecho, porque é pungente.
"Se o vinho, bebido em condenável excesso, pode e tem produzido frutos desgraçados de ordem física e moral, as bebidas brancas, por seu turno, têm dado aos hospitais, aos cemitérios e às prisões um contingente horroroso.
A bebida branca, inimiga implacável da economia animal [o que raio quer ela dizer?], é, contudo, às vezes proveitosa: - no mar, por exemplo, ou depois de um aguaceiro em que o vestuário não pode ser imediatamente substituído; mas toda a bebida redundará em prejuízo, quando o uso que dela se fizer for imoderado.
Repetimos: a bebida branca é um veneno, que todos os homens de dignidade devem repelir, pois que o uso desmedido dela serve apenas para enriquecer os hospitais de doidos, os obituários e as prisões."
Depois disso quem se atreverá a beber uma gota mais de gin tónico? Eu teria medo, não fosse dar-se o caso de não gostar de bebidas brancas.
A cozinheira das cozinheiras é o presente dos presentes, o superlativo absoluto que une história das mentalidades à arte de bem comer. Uma boa mesa pode não fazer um bom lar, mas ajuda à boa vida.



segunda-feira, 30 de novembro de 2009

escala essa montanha, irmã

Ando há uns dias a ouvir no carro a banda sonora da "Música no Coração". Não o faço simplesmente por adoraaaaar o filme, as canções, a Julie Andrews. Mas principalmente porque o miúdo anda com uma vontade compulsiva de ouvir o dito CD. É certo que há razões de compromisso escolar associadas - parece que a festa de Natal vai envolver parte das músicas - mas a verdade é que até foi ele que sugeriu isso à professora de Inglês.
Pois bem, depois da constante audição da banda sonora, ontem dedicámos parte do nosso tempo a rever o filme. E aquilo que já andava a pensar nestes dias confirmou-se: o filme é intemporal e conquista sempre as crianças. Não pelo conto de fadas da ama que casa com o pai de sete filhos (isso já é batido e está longe de ser a parte mais emocionante da história), mas sim porque existem 7 miúdos de idades diferentes a divertirem-se que nem loucos e ainda por cima fartam-se de cantar e correr em prados verdes. A Julia Andrews faz o que é preciso e fá-lo como ninguém. É impossível não adorar o lado absolutamente livre e endiabrado da Maria, a sua ternura com as crianças e aqueles agudos inigualáveis.
Eu sou fã, é verdade, acho que é um dos grandes filmes da história do cinema, que deve mesmo ser repetido todos os natais. Mas independentemente desse meu lado já rendido, o filme resulta. É claro que resulta, porque hoje, passadas não sei quantas décadas, continua a cativar fãs novos, sem o mínimo de esforço.
A seguir vamos para a Mary Poppins e, daqui a uns aninhos, para o "Victor Victoria" que é brilhante para o seu tempo. Para ver se os filmes mais emblemáticos da Julie Andrews continuam a resultar assim.

Para mim, uma das melhores cenas do filme é quando a Maria sai do convento para ir conhecer, pela primeira vez, aquela prole, com a canção "I have confidence in me" e era essa que queria partilhar convosco. No entretanto, encontrei esta montagem de um trailler falso que consegue transformar um dos filmes mais encantadores de todos os tempos num petrificante filme de terror. Muito bem feito e para rir.
Para quem nunca viu "Música no coração" (não sei se tal é possível), não se deixe enganar pelo trailler. É tudo maravilhoso no filme, excepto os nazis, é claro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

exemplar único

Hoje vai haver um leilão no CCB dos objectos de António Variações. Que eu me lembre, é das primeiras vezes que isto acontece em Portugal com um artista pop, mas independentemente disso é um momento simbólico. Com bases de licitação que vão desde os €10 (boquilhas) aos €1000 (cassetes com as maquetes das canções - as que foram usadas para o trabalho dos Humanos), parece ser tudo possível para os verdadeiros fãs de António Variações.
O que eu acho mais extraordinário em tudo isto é que este é o artista português com quem um leilão mais parece combinar. Toda a sua persona inspira coleccionismo de objectos e extravagância. Ao mesmo tempo, é o chamado artista póstumo, porque foi demasiado maldito, demasiado mal-amado, "à frente do seu tempo", como dizem. Portanto, o leilão é adequado, mas injusto e frustrante. Porque merecia mais justiça e mais sorte em vida, enquanto artista. De qualquer modo, é interessante e dá-nos essa sensação boa de partilha.
Ouçam aqui a reportagem da TSF, não só sobre o leilão mas também em Fiscal, terra onde está enterrado, tem nome de rua e um busto. Veja-se como se comenta a estranheza que inspirava noutros tempos, assim como a menção a ser "homem sexual", misturada com esse respeito pelos mortos e orgulho de ser da terra. O presidente da Junta queria fazer um museu mas não há dinheiro. Na verdade, Variações não poderia ficar reduzido ou preso a um só local.
Que a parada fique bem alta, é o que desejo.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Geografia do olhar e do sabor

Por muito que trilhemos Portugal, há sempre um ingrediente novo por descobrir. As terras estão sempre abertas a um novo olhar e a gastronomia disponível para um novo sabor. É assim que vejo Portugal de cada vez que o redescubro fora dos muros da minha cidade: saboreio-o.

Conforme a estação (o que neste momento não se aplica muito), as terras vão-nos dando novas cores, com uma luz diferente. Passear agora é um privilégio, porque as terras estão limpas de turistas, aparecem na sua frescura e na sua autenticidade (quando a têm, claro).
Este fim-de-semana, estive a passear e reencontrei lugares da minha infância e nada era bem igual. Porque, quando somos jovens e tolos, estamos interessados na geografia útil e, por outro lado, a das emoções e da memória. Não criamos empatias com a beleza, somos atraídos pela luz dos cromados e pela comodidade que a terra dá às nossas necessidades quotidianas. O sítio dos gelados, o cinema, as praias, os lugares onde brincamos e pouco mais. Redescobrir a beleza de um lugar conhecido na idade adulta é uma boa sensação.
Com a comida, é um pouco semelhante o processo. Aprendemos a gostar do que era intragável e a saborear cada um dos pratos das nossas terras. O cozido de Canal Caveira, por exemplo, era uma delícia para os adultos, mas eu ia sempre para o bitoque. Mas a riqueza fascinante da nossa comida acaba sempre por vencer e, na praia, passamos a preferir amêijoas em vez de hamburgueres.
Na nossa geografia natural, gastronómica e cultural, possuímos lugares únicos no mundo. Um dia apenas a contemplá-los pode trazer-nos o descanso e o deleite de umas férias completas.
Por isso, é bom voltar e descobrir esta notícia que nos anuncia que "Portugal surge em quarto lugar no ranking dos países com mais produtos agro-alimentares de excelência" no Qualigeo-Atlas. À nossa frente só Itália, França e Espanha, mas eles que se ponham a pau, porque não há comida como esta, como não há terra como esta.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

desenho de cidade, desenho meu

Em tempos de Autárquicas, uma pessoa põe-se a pensar naquilo que deseja para a sua cidade, naquilo que falta, naquilo que está bem e mal, naquilo que a pode tornar melhor. No meio desta eventual reflexão, depara-se ou não com uma evidência: a minha cidade é linda.
Lisboa é uma cidade linda. E talvez esta conclusão não tenha vindo das autárquicas (afinal, não preciso pensar muito relativamente a isso), mas sim desta oportunidade, que de vez em quando a cidade me dá, de achá-la absolutamente encantadora. Nem sempre nos concede isso, com os seus pequenos e grandes defeitos a espreitarem-nos os dias, mas quando o faz é impossível não nos atirarmos a ela com cânticos de amor e adoração.
Deparei-me com uma vista de telhados e Tejo... tudo imenso. E lá me fui lembrando de outras vistas bem presentes na minha vida toda, que nos arrancavam do lugar mesmo sendo banais. Talvez por que soubéssemos que não estariam lá sempre.
E, dessa vista, passei para a vida, para a permanente epopeia que Lisboa desenha. E, ao fim de quase dois meses, voltei a reconciliar-me com a minha cidade, deixando esse meu lado africano das paisagens imensas das férias descansar um pouco.
Assim nos vamos desenhando, com esta coisa que os espaços nos dão. Contornos, cheiros, possibilidades, sonhos e reencontros.


A cidade prepara-se agora para receber um novo inquilino* e fá-lo brilhante de orgulho, sempre bela, desejando o melhor.


* ou inquilina.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

com ela, com ele

Abraços Desfeitos ("Los abrazos rotos" soa muito melhor) é mais um filme extraordinário do Almodóvar. O amor e a paixão, a trama telenovelesca, a crueza e a beleza das suas cores, dos seus diálogos (brutal o castelhano quando é de Almodóvar), tudo isso se mescla e insinua para trazer-nos mais um filme perfeito, para nos deliciar e cativar. E, claro, Penelope Cruz.


Que parceria maravilhosa encontraram eles de novo. Penelope Cruz está absolutamente brilhante, espanhola e cheia de ela própria. É difícil ter uma actriz assim e por isso é que a definição de espanhola lhe calha tão bem. Porque há qualquer coisa sem máscara em toda a máscara que a personagem tem. Ela roça a película, é assim que parece.

Este filme é mais um acto de génio, que é puro cinema. Não tem merdas, tem rodos, parece uma cesta cheia e exuberante de coisas boas.

Deixo aqui o trailler, que merece a pena, para apanharmos um pouco da crueza bela de Almodóvar com a sua Penelope.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

imagens cicatrizes


Foi há oito anos e, ainda assim, as imagens continuam a ter uma brutalidade inacreditável. Quem viu as imagens do embate dos aviões, das torres a cair, das pessoas a saltar, dificilmente poderá esquecer-se ou não guardar a memória das sensações sentidas.
A minha vida estava a mudar naquele momento e reforço a minha memória pessoal em relação à data 11 de Setembro de 2001.
O génio daquele atentado foi ser tão absolutamente simbólico para todo o mundo ocidental, um atentado a uma cultura. A tragédia das vítimas não teve nada de simbólico, um cenário que se repete em todo o mundo a toda a hora.
O terror perpetrado naquele momento foi um golpe de rins, insuportável e diabólico, cravando em muita gente sentimentos tão diversos como vergonha, raiva e compaixão.
E as imagens que ficaram continuam a deixar esse rasto, com um poder feroz.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sobre bola e o resto

Hoje é o tal dia em que está tudo em jogo na qualificação para o Mundial de 2010. Já se fala disto há uns dias, semanas, meses e não é grande assunto para desenvolver. Ou ganhamos hoje e talvez haja ainda uma esperança e tal se os outros falharem, ou perdemos e então escusamos de preocupar-nos mais com isso, fica para a próxima.
Pelo caminho desta demanda infeliz da nossa selecção pós-Euro 2004, muita coisa aconteceu. Dissemos adeus ao Scolari, e depois daquela tentativa de murro ninguém se importou, dissemos "lá vem este" ao Queirós e, num instante, passou toda a febre das bandeiras à janela para uma indiferença envergonhada pós-indignada. A culpa é do Queirós e de outros que agora não interessa, ou talvez do Scolari e do Ronaldo e de mais outros que ninguém quer saber.
Pelo meio também, insurgiram-se vozes contra o advento de Liedson que, será que ninguém reparou?, apenas revelaram a muita xenofobia que para aí anda. A meu ver, uma selecção é a representação de um país. E o nosso país, felizmente, é multi-étnico, diverso e faz-se das pessoas que o compõem. Ser português é fazer por Portugal e escolher fazê-lo, pelo que imagino que haja muitos "estrangeiros" por aí, com a nacionalidade "pura" marcada no B.I., mas que de portugueses têm pouco. Daí só a haver uma resposta: o Liedson escolheu ser português, logo deve jogar na nossa selecção. E depois de marcar um golito, a xenofobia decresceu drasticamente. Se querem jogadores portugueses "puros" (seja lá o que isso for, afinal até o Ronaldo nasceu na Madeira), invistam na formação e sejam como o Sporting.
Adiante que esta conversa está a tornar-se demasiado tecnicista (outra palavra estranha da gíria futebolística).
A febre da selecção baixou drasticamente e só voltará eventualmente com um apuramento. Entretanto temos os clubes e os benfiquistas estão garantidos com a sua euforia, os portistas têm os títulos e os sportinguistas (como eu) têm o esforço, a dedicação, a devoção e o desânimo (em substituição da glória). A selecção já nem sequer tem um bigode, porque o nosso seleccionador snob cortou o dele há anos. Assim não vamos lá!
Alguma alegria dei eu aos vitorianos (Setúbal) quando, em terras estrangeiras para eles (Lisboa), apitei fervorosamente quando os ultrapassei na estrada. É preciso ver que eles levaram uma catrefada de golos dos eufóricos do Jesus. Solidariedade precisa-se e, além disso, o equipamento é verde.
Entretanto este post tornou-se algo bizarro, sendo a conclusão possível a seguinte: o futebol não está sexy (como se diz na gíria da comunicação), está antes chato e pouco épico como a gente gosta, está matemático e à rasquinha. A malta só aguenta isto por causa da cerveja.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

à volta

Estar em Lisboa, já fora de férias, não significa estar de volta.
Estar de volta, desta vez, vai demorar. E não me importa muito que a adaptação chegue tarde. Estou ainda como o lugar que deixei, rude e selvagem. Mas sem a beleza e a liberdade que por lá deixei.
Há lugares que nos envolvem. Porque são cheiro e som diferentes, porque tudo à volta pousa nos olhos sem entrar por eles adentro. Porque o tempo se torna diferente, sem caprichos nem pressões. Voltei meio africana, sem sair deste país, meio selvagem mas imersa em comunidade. Fiquei assim sem me dar conta. E agora não me rala a sobranceria nem a altivez de Lisboa. Não me rala a sua beleza e a sua atracção. Sei que vão chegar e então estarei de volta. Mas, por enquanto, não lamento não estar cá.
Lamento não estar lá. Mergulhar em águas sereias. Levar com a brisa a cheirar a esteva. Ter o corpo coberto de sal e sol. Ser elevada por paisagens agrestes. Guardar restos de comida para os animais. Andar despida. Entrar no lugar e permanecer na paisagem. Tornar-me parte dela, ser o lugar simplesmente.
É um privilégio viver assim por 15 dias. Sem perfeição nem ilusão. Com muito menos camadas. Partir é abdicar desse privilégio. É voltar a outros privilégios que, por alguns momentos, ficarão sem sabor.
A terra é tão saborosa e gostosa, que é impossível que tudo o resto, mesmo sofisticado e galante, não pareça sensaborão por uns tempos.

Para entreter-vos deixo aqui a 2ªparte de um documentário sobre a Mayra Andrade. É curtinho (10 minutos esta parte) e vale a pena. Podem ver a 1ª parte aqui. Esta foi a banda sonora dos 15 dias. E nunca cansou. Ainda não consegui deixar de ouvir. Tem a mesma rudeza e beleza que encontrei. Tem a mesma cadência e é um encontro semelhante de gentes e ritmos.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

verdadeiramente popular

Há uns tempos atrás, integrada na campanha protagonizada pelo Bruno Nogueira, uma conhecida marca de cervejas portuguesa, aludiu ao assunto "Feira Popular". Foi para onde? Volta? Por que se foi sem deixar rasto e ninguém nos dá satisfações? Onde andam as diversões e a montanha russa quando não há festivais de Verão? E por aí fora...



Este fim-de-semana, fui à Feira de Santiago, em Setúbal, e deu-me para reviver as noites passadas na Feira Popular, desde pequena até à primeira adolescência, para em adulta voltar pontualmente.
A Feira de Santiago tem uma feira popular lá dentro e muito mais. Carrosséis, carrinhos de choque, tiro ao alvo e toda a animação em néon que me lembrava, mas também concertos, roupa para vender, carros em exposição, gastronomia, exposições e sei lá mais. Farturas, churros, algodão doce, pipocas, mulheres e homens em cima de balcões a gritarem aos microfones, música romântica e choco frito fazem a verdadeira cultura popular a vibrar (aos gritos mesmo) naquela Feira. Uma verdadeira festa que me encheu os olhos, me inchou os pés e inundou-me de nostalgia.
De tal modo, que deu-me para andar num dragão (acho que estava na Feira Popular de Lisboa) e sair de lá zonza e a julgar-me velha demais para aquela velocidade. Mas, na verdade, gritei em plenos pulmões e diverti-me feita parva.
Para além das peripécias animadas da noite, interessa mais partilhar a questão da sabotagem ao popularucho. Não falo da tradição e do espírito popular, que são protegidos na óptica do foclore e das tradições culturais. Falo mesmo da sobranceria face a locais como a Feira Popular, que, numa óptica global de cultura sofisticada e paternalista, se tornam factores dispensáveis e até grotescos.
A verdade é que Lisboa precisa da Feira Popular de volta. É como uma festa de Verão de aldeia, em Lisboa. Sim, há algo de profundamente chungoso e pimba em toda a parafernália, mas a verdade é que nos divertimos como idiotas. Idiotas felizes, bem-humorados e profundamente alegres por podermos voltar a brincar.
Eu quero o meu parque de diversões de volta, como sempre foi. Democratizado, livre, luminoso e cromado, pindérico e com feirantes e, já agora, com o poço da morte.
Até voltar, terei de continuar a ir a Setúbal procurar a minha festa de aldeia na cidade. Lisboa deve estar a ficar snob.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Desfilemos

Ontem estive no FIG - Festival Internacional de Gigantes, no Pinhal Novo. O festival já vai na 7ª edição e junta a tradição popular dos cabeçudos com o lado mais performativo do espectáculo de rua. Não tive oportunidade de assistir a nenhum espectáculo, mas sim o privilégio de ver o desfile. Em grande festa, com os grupos todos representados, o público pode assistir ao desfile de máscaras e gigantes. Com a presença de vários grupos de percussão, a marcha foi mesmo uma completa animação.

A possibilidade de assistir e/ou integrar um desfile é uma experiência de contaminação. É trazer mesmo a alegria para a rua, a capacidade de nos mostrarmos/olharmos para os outros. E fazer uma grande festa pública.

A pensar nisso, lembrei-me de um outro desfile, a Peregrinação da Expo 98. Já passaram mais de 10 anos, mas a verdade é que muitas daquelas máquinas de cena continuam presentes na nossa memória, ou pelo menos aquela sensação tremenda de estar a ver passar uma das paradas mais espectaculares a que poderíamos assistir. Todos os dias durante a Expo 98, o desfile acontecia, trazendo um imaginário único, cheio de universos alternativos, capaz de cativar todos os públicos, todas as idades.


É esse lado do desfile, transversal, universal e agregador, que me atrai. Seja num acto artístico, seja num acto político, seja num acto popular. Neste acto colectivo de partilha, há lugar para a procissão e para a Marcha do Orgulho.

Um desfile eleva. Tem um objectivo utópico na sua marcha, que se vê na cadência dos que desfilam e na persistência dos que assistem. Um desfile revela-se nas suas passadas. Cresce quando se cumpre o seu caminho, levando consigo mais e mais gente, espalhando beleza, ideias, alegria e festa.

Dá gosto sair à rua.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

meio cheio meio vazio

Há uns dias atrás deparei-me com 3 garrafas antigas de Água da Bela Vista. Achei curioso que tivesse havido uma água proveniente do "famoso" bairro problemático de Setúbal, que há umas semanas atrás inundou os media. Não sendo uma conhecedora da história e da vida de Setúbal, tenho actualmente laços fortes à cidade e, daí, ter-me surpreendido ainda mais.

A problemática Bela Vista já me era teoricamente familiar e impressionou-me mais uma vez, na altura da exposição mediática, a forma como os meios de comunicação em geral se portam como abutres, indo buscar o que lhes interessa, como se o tivessem descoberto, para depois o abandonar quando já não lhes interessa.

Mas este post tem a ver com a água. A ideia de que neste bairro já existiu uma nascente de água capaz de produzir água de mesa é fascinante e impele-nos a questionar por que não se potencializa isso na "regeneração" do bairro. É claro que falo de cor (ou seja, do coração) e não faço a mínima ideia se tal ideia poderia ser aproveitada.

O que sei foi o que encontrei aqui e, ao que parece, a água era termal. Tinha efeitos terapêuticos reconhecidos, existindo casos e registos dos seus bons efeitos. Agora, a antiga zona de captação, marcada por uma torre, está ocupada por um supermercado e seu estacionamento. A água existiu até finais dos anos 60. Em 70, a Quinta da Bela Vista deixou de ser uma quinta para passar a ser uma urbanização social.

Às vezes, perguntamo-nos como é que tudo está às voltas, como é que as coisas chegam onde estão. E depois vamos reconhecendo os pequenos pontos no caminho e na falta de visão que nos impediu e impede tantas vezes de percorrê-lo no melhor sentido*. Seja como for, o que fazer com isto agora? Há-de haver algo.

Deixo então aqui uma imagem de uma garrafa da Água da Bela Vista. Esta um pouco ferrujenta e mais velha do que aquelas que encontrei, mas talvez mais fiel à visão actual do bairro.




*Enquanto andava às voltas à procura de coisas sobre esta água, deparei-me com um testemunho de uma professora da Escola Secundária da Bela Vista, que também cresceu no bairro. No texto, fala de quando ia buscar água à fonte, da escola em que andou e em que depois leccionou. Constata a sua mágoa pelo fim anunciado da escola, pois pelo que parece as escolas foram extintas/banidas do Bairro da Bela Vista. E mais uma vez vamos reconhecendo esses pontos de viragem decisivos.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Estranho

Não há como contornar hoje esta notícia da morte do Michael Jackson. Um ícone desta dimensão, que atravessou décadas mantendo o epíteto de Rei da Pop (mesmo quando não fazia nada de jeito), leva consigo um vazio, trazendo o choque da notícia. É algo que não se está à espera: o Michael Jackson morrer.

Não sou particularmente fã. Melhor dizendo, gosto muito de algumas músicas dele, cujo talento é indiscutível. Mas a figura deixou de me cativar. Não fui indiferente à mutação nem às acusações criminais, fundando-se em mim uma inevitável repugnância.

No entanto, era o Rei da Pop e isso não é para pôr em causa. O disco mais vendido de sempre é dele e agora ainda mais.

A estranheza da notícia acompanha a estranheza da sua própria vida (ao contrário da sua música, nada estranha). Esta é uma figura ímpar a nível artístico e mediático, ao nível da ainda viva Madonna e de muitos outros mortos que são únicos e incomparáveis (a lista seria longa, mas basta um Elvis para equiparar).

Não se descola da nossa cultura a figura de Michael Jackson. Ele está lá e aí permanecerá nas suas mil caras. E esperemos na sua música. Eu deixo uma cara do início, em que tudo ainda estava por trilhar, o início do ícone, da música, da bizarria. A simples promessa de génio.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Conta lá outra vez

Passados 25 anos da sua produção, eis que revi o filme "História Interminável", marcado em mim pela imagem de um cão voador e uma canção gira para dançar em festas dos anos 80.

Assisti ao filme este fim-de-semana, com 4 crianças à volta, e é gratificante e enternecedor testemunhar que uma boa história vale muito mais que 25 anos de inovações em efeitos especiais. Continua a resultar, a ver pela reacção dos putos. Sentiram medo, espanto, alívio, riram-se, saltaram de felicidade e comoveram-se, como as crianças das outras gerações.

E eu lembrei-me que não era um cão voador, mas sim um dragão sem asas, o Falkor!



Um mundo de fantasia que depende dos humanos para subsistir, a demanda de um muito jovem guerreiro que se confunde com a personagem do outro miúdo leitor, conseguindo juntos salvar aquele mundo quase destruído pelo Nada... tudo são grandes ideias. E, principalmente, conseguem tornar o filme uma verdadeira aventura para quem o vê, cheio de situações e momentos empolgantes e mágicos.

Ao fim de 25 anos, rimo-nos dos efeitos especiais. Mas continuamos a acreditar. Acreditamos que o Folkar é fofinho e que é possível uma criança salvar toda a imaginação simplesmente por desejá-lo.

Uma boa história é intemporal. E, é claro, interminável.