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terça-feira, 10 de novembro de 2009

popota vs. leopoldina

Como se transformam duas mascotes desinteressantes e infantis em duas figuras de animação modernaças e poderosas? É melhor perguntar aos senhores da Sonae distribuição, porque eles parecem perceber do assunto.

Do lado do Modelo, temos uma Popota bomba, cruzando o flashdance com o tarantino, ao som dos Buraka. Do lado do Continente, a perua Leopoldina transformou-se numa versão animal da lara croft preparando-se para ajudar todas as crianças do mundo a invadirem um grande armazém de brinquedos.
De qualquer das formas, estas mascotes sofreram um upgrade brutal face a anos anteriores, colocando-se a anos luz do universo infantil do politicamente correcto. Popota e Leopoldina emanciparam-se, com vantagem, a meu ver, para a Popota, que tem uma auto-estima espectacular e está muito mais na dela. Vai dançando e conquistando as hostes. A Leopoldina por outro lado tornou-se uma espécie de perua mutante (ao estilo das tartarugas ninja), sem asas e com corpo de mulher, o que não está mal para o universo que estamos a falar, mas que não convence. Tem uma carinha demasiado inocente e brincalhona para se tornar uma verdadeira ninja no combate em prol das brincadeiras.
A Popota sai a ganhar, mas é uma evolução gigantesca para as duas mascotes!





Avisa-se que quem vai ao continente ou ao modelo comprar brinquedos, não há popota ou leopoldina que safe. Aquilo é mesmo a loucura e há que aguentar! Cerra os dentes que é Natal.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

o gesto global

As campanhas de sensibilização sobre as alterações climáticas necessitam combater, em primeiro lugar, as resistências do público, que cede quase sempre à sensação de impotência e frustração, anulando assim qualquer movimento ou acção. O público vê-se confinado a espectador, incapaz de fazer seja o que for para resolver. A verdade, segundo nos dizem, é que pequenas alterações nos nossos gestos quotidianos, multiplicados à escala global, podem fazer uma grande diferença.
Se pensarmos em questões sociais de uma forma global, a resistência está também lá. Ao depararmo-nos com problemas gigantescos, a tendência é assustarmo-nos, encolhermos os ombros, chorarmos, paralisarmos. Porque não sabemos qual é a solução e não temos a mínima ideia do que podemos fazer. Por isso, os donativos são uma benção para a maioria do público bem intencionado. Campanhas como a do Banco Alimentar contra a fome, nos supermercados, são um sucesso, porque as pessoas compreendem o gesto, materializam a sua ajuda e valorizam-na por isso.
Este é o desafio de toda a comunicação "solidária": levar as pessoas a entender o seu papel, a valorizá-lo, porque a maior parte das vezes é intangível, imaterializável e não quantificável. Ficamo-nos na abstracção.
E essa é, a meu ver, a única saída. Ou seja, individualmente sermos capazes de agir com a noção do global. Tornar a nossa acção concreta numa acção universal. Não é muito diferente de um ensinamento cristão, mas a diferença reside sobretudo no tipo de acções de que estou a falar. Não se trata de moral, nem sequer de ética, mas capacidade de reflectir sobre o impacto daquilo que fazemos numa escala nunca antes vista.

Este filme mostra-nos um pouco essa ideia de causalidade, numa excelente animação.


quarta-feira, 15 de julho de 2009

Há noite no Verão ou à noite no Verão

Hoje é o último dia das Festas de Lisboa, com este concerto, e eu pus-me a pensar que ainda não está no tempo de acabarem as festas. Pelo contrário, agora é que me apetece começá-las. Talvez porque o Verão só agora é que assentou meteorologicamente ou porque só agora é que despertei para a ideia, o que é certo é que só recentemente comecei a sentir a mística da noite de Verão.
E o Verão convida à festa, à noite, às ruas cheias de gente. No último fim-de-semana, tive a possibilidade de assistir a metade de um dos espectáculos do Festival ao Largo e, além do enorme prazer que me deu assisti-lo, acrescentou-se o bem-estar de desfrutar de uma noite lisboeta cheia de gente, de vida e de animação.
Agora, as noites enchem as ruas e vice-versa, deixando no ar aquele brilho dos passeios nocturnos à larga, como nas férias de verão na praia, em que se saboreiam gelados fora de horas e se fazem compras em bancas improvisadas. O verão tem dessas coisas e, agora que somos adultos, é bom poder desfrutá-lo mesmo nas nossas cidades. Nesse desfrute tornam-se ainda mais apaixonantes.
A mim e àqueles que, como eu, ainda não partiram para a costa e ainda estão nos seus trabalhos e trânsitos, é a noite que nos chama, restaurando a luminosidade do dia seguinte.
Mudando de paisagem, apetece também sair da cidade e renovar o olhar, inspirando o mesmo prazer da brisa fresca da noite. E deparei-me então com este outro festival, para os lados do Alentejo, que mistura urbano e rural, que parece ambicionar a essa mistura boa de fazer tudo e nada fazer.
É um pouco assim o Verão, mesmo sem férias. Tudo corre, tudo puxa, tudo é uma esplanada em que nada se faz e tudo se é, em que tudo é possível e encontra-se sempre um bom caminho.
Hoje apetece-me veranear para sempre, é um facto.



Imagem do festival Escrita na Paisagem, o tal Festival de Performance e Artes da Terra.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

8 minutos para desmontar e voltar a montar

Este pequeno filme de animação de 8 minutos é brilhante.

De uma forma muito simples e clara, coloca uma série de ensinamentos em causa. Principalmente aqueles que nos impedem de ver para além daquilo que nos foi incutido.

A capacidade de vislumbrar a estranheza e não nos sentirmos ameaçados por ela. A capacidade de evoluir com a diferença que felizmente nos bate à porta. Novas fronteiras em oposição a limites arrumados que não correspondem em nada à realidade, em toda a sua força, beleza e diferença.

Quando abrimos um pouco os olhos à diferença, segue-se o coração e depois os braços. E é bom estar de braços abertos para o outro, principalmente depois dos nossos olhos e coração o terem realmente visto.