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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

conta a história, conta

Hoje é inaugurada a Casa das Histórias Paula Rego em Cascais.
O projecto fascina-me e estou desertinha para ir lá espreitar. Além de achar a obra da Paula Rego um palco brutal da humanidade e esteticamente pujante, a artista também me cativa. Há algo de infantil na forma como fala e um despretensiosismo que me agradam.
Hoje, na rádio, ouvi-a falar do espaço exactamente assim, como despretensioso. Essa é uma qualidade rara no mundo artístico e, na Paula Rego, encontro-a.
Por outro lado, a Casa, a que não quis chamar museu, parece ter um conceito bem catita. Aberto até às 22h, com entrada livre, com um edifício do Souto Moura, integrado no espaço, e um programa educativo amplo desenham a casa como hospitaleira. O aspecto do site, a cafetaria/restaurante e a loja prometem-nos ainda essa sensação de conforto e detalhe, que nos aconchega quando nos queremos sentir mais cosmopolitas e modernos. E, claro, há as exposições.
Para ajudar à boa sensação, esta ideia de histórias promete. Abre uma porta para mundos para explorar, para um lugar com momentos que encantam e entusiasmam, como uma boa história.
Antes de ir, já me sinto bem-vinda, talvez pelo carinho que sinto pela obra e pela criadora. E intuo a Casa como uma casa aberta a toda a gente que a quiser visitar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

é preciso perceber tudo?

O MASP - Museu de Arte de São Paulo tem uma escola, com cursos de História de Arte. Para os promover, fez esta acção bem certeira de colocar na moldura um texto sobre o autor e, no espaço destinado à legenda, colocou a obra em ponto pequeno. A ideia é clara. Para podermos apreciar a obra na totalidade, há que conhecer a vida e as obsessões de quem a fez.


Compreendo esta acção e acho-a eficaz. No entanto, sinto-me perfeitamente na ponta oposta deste mote "Conheça o contexto e entenda a obra".
Entender a obra é afinal o quê? É percepcioná-la de um ponto vista meramente racional, com as premissas históricas, sociais, freudianas e políticas, sem esquecer igualmente as nuances das influências artísticas, blábláblá...?
Sou toda a favor da análise e adoro biografias e perspectivas assentes em teorias viajantes no tempo, mas estão noutro plano diferente do da arte. Ou pelo menos num plano diferente do da obra. Primeiro que tudo, a obra cria um impacto e esse é insubstituível. Tudo o resto que vier, está à parte e não compromete o impacto da obra, por ela mesma. Aliás, quando temos demasiada informação, o mais certo é que isso deturpe totalmente a nossa percepção da obra. Talvez a entendamos melhor, mas o que fica então desse primeiro "olhar"? Ficará provavelmente perdido para sempre e nunca mais será recuperável.
A arte, para quem a recebe, é uma experiência estética. Estimula sentidos e provoca emoções. O resto da compreensão virá da nossa vontade de compreender essa mesma experiência e, num certo sentido, do desejo de recuperá-la.
Para quem a cria, a história é outra e não cabe aqui, pois para quem a recebe isso será, num primeiro momento, indiferente.