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terça-feira, 7 de julho de 2009

Os tais novos canais

Ele é twitter, ele é facebook, ele é xiribitatatá... o mundo da internet, com as suas redes sociais, canais de divulgação, plataformas, e urras urras, não pára de evoluir. De tal modo, que já me disseram no outro dia que os blogs estavam desactualizados.
É certo que eu já ando nisto dos blogs desde 2004. Vistas as coisas assim, estou para aqui a escrever posts, ainda que com um ano ou dois de interregno, há quase cinco anos. Em meia década muita coisa acontece - basta olhar para as crianças.
Eu abraço as novas tecnologias de bom grado, mas há plataformas (vamos simplificar) que eu não entendo, ou que pelo menos não consigo acompanhar. Bem sei que, graças à minha profissão, tenho o privilégio e a obrigação de estar sempre ligada, mas neste mundo virtual que a Internet criou há muitas coisas que me escapam. E que quero que continuem assim, enquanto puder.
Habituei-me a ver certos instrumentos da Internet como meios alternativos de contextos comuns não virtuais. Por exemplo, o messenger é um alter-ego distorcido de uma conversa (em modo pior), um blog é uma publicação pública em formato digital, um email é uma carta, um fax, uma circular... Com as devidas distâncias, estes meios partem de algo muito comum na vida social diária para se deslocarem para outra coisa. Mas agora as plataformas estão a criar novas formas de vida social. Estão a liderá-las. Os sms são algo por si só, o twitter também, o Facebook eu sei lá.
Não há nada de mal nisso. Pelo contrário, faz parte da evolução das coisas.
Mas às vezes apetece desligar. E a propósito disso encontrei uma publicidade brilhante. Que me faz pensar que não me importa nada estar desactualizada num certo sentido, se imaginarmos que há livros há centenas de anos.



segunda-feira, 1 de junho de 2009

Mudam-se os tempos, mudam-se os meios

A capa da revista New Yorker apresentou uma pintura/ilustração de um designer e ilustrador português, Jorge Colombo. A grande inovação da dita é ter sido feita num iPhone e, neste vídeo, podemos ver a evolução da obra. Ficamos com a sensação da facilidade táctil e da fluidez desta aplicação artística, captando a beleza da construção do processo criativo. 

Desde tempos imemoriais que a humanidade se expressa artisticamente ou, se preferirmos, conceptualmente. Usou de tudo para o fazer. Evolui nos seus materiais, ao mesmo tempo que fez grandes rupturas conceptuais e ideológicas sobre o valor da arte. Manteve-se a mesma necessidade, a mesma vontade.

Ao olhar para este vídeo, nada temo. Pelo contrário, esta capa é uma representação de uma certa democratização da arte. Da apropriação sem pudor dos meios que temos ao nosso dispor para nos expressarmos. Só não é uma utopia, porque é uma aplicação para um equipamento caro de uma marca gigante. Mas, ainda assim, dá um certo conforto imaginar que há limites a serem ultrapassados. Nomeadamente, os limites e as regras dos agentes que balizam o que é artístico ou com potencial de sucesso para as "massas". 

Na música, no cinema e, agora, até na pintura, passa a haver outro tipo de decisores para além das editoras, dos produtores e dos curadores. Há um livre-trânsito que faz muita gente destacar-se. A arte não deve ser banal, mas deve estar banalizada, ao alcance de quem a quer e de quem a faz. 

Em outras questões, as novas tecnologias assustam-se um pouco. Quando as vejo assim aplicadas, o medo desaparece um bocadinho. Porque, ao contrário de jogos, chats, etc., aqui a tecnologia não limita, antes potencializa uma grande expansão, individual e colectiva.