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sexta-feira, 30 de abril de 2010

o nosso tempo

Sempre adorei música de outros tempos, especialmente a dos anos 80 cativa-me. Não deixei, por isso, de ouvir música actual, nem decidi fazer uma permanente.
Nos últimos tempos, tenho-me aborrecido um pouco com este revivalismo exacerbado. Já passámos pelos hippies, pelos punks, mas agora esta febre dos 80 está a cansar-me um pouco devo confessar. Os penteados e as roupas estão a ficar demais. Vai-se à zara ou à h&m e há tigrezas, zebras, folhos e chumaços por todo o lado.
Não dá! Ontem, depois de ver isto, disse BASTA!
Cansada do psicadélico barroco, assumi os anúncios do Citroën DS3 como meus. Adoro o conceito Anti-retro e aderi a esta "causa". Eles conseguiram com esta campanha fazer uma coisa excelente: pegaram num sentimento que deve ser comum (este cansaço das décadas passadas) verbalizando-o nos ícones dessas mesmas décadas. Acho muito engraçado por isso. Mas gosto fundamentalmente desta formalização tão fechadinha: anti-retro.
Gosto do antigo, não me percebam mal. Gosto da história e da cultura pop, adoro ABBA e Bee Gees, mas já não aguento ver o mau gosto ressurgir como se fosse uma coisa com pinta.


quarta-feira, 21 de abril de 2010

objecto vs. sujeito

Muito se falou da campanha da SuperBock Mini Stout. O "É só puxar", associado a um corpo acéfalo de mulher meio nu, caiu mal a muita gente. Achei a campanha gráfica bem fraquinha, básica, sem graça e obviamente infeliz. Não por pudor, ver maminhas roliças não tem nada de mal, mas sim pela objectificação desnecessária. A campanha de TV falava de prazer e tinha um SPA ideal para apreciadores de Stout. Também tinha as "gajas boas", mas elas não eram o centro. O problema foi desviar o objecto do prazer, na campanha de mupis. Em vez do prazer da cerveja, veio outro prazer. Num entanto, esse prazer sexual continuava a ser exclusivo do apreciador de cerveja - "O prazer é todo seu". O "É só puxar" dava-lhe esse lado de dispor como se quer e apetece, e nem por sombras alguém pensava em puxar a tampa da cerveja.


Em anos e anos de campanhas de Marcas de cerveja, o que houve mais foi objectificação da mulher. A Sagres sempre foi exímia na introdução da gaja boa como motor de vendas. Chegou inclusive a comparar as cores da cerveja com a cor de cabelo e de pele das actrizes brasileiras.
É algo a que estamos habituadas/os. Não acrescenta, não valoriza, mas o pessoal da publicidade (das próprias empresas) deve achar que é isso que atrai o consumidor da cerveja.
A meu ver, é porque não valorizam suficientemente o produto. Há grandes anúncios de cerveja. Basta ver os da Heineken, por exemplo. E depois há os outros.
Tudo isto a propósito de um pack desenvolvido por uma Marca holandesa de cerveja, a Bavaria, destinada a mulheres. Este passo "desviante", inédito em Portugal, assemelha-se, por exemplo, à crescente aproximação dos clubes de futebol às mulheres adeptas, numa renovação do estereótipo habitual. Se falo sobre futebol, não é por acaso, porque o que a Bavaria fez foi colocar no pack um vestido/camisola, desenhado por uma estilista holandesa, para apoiar a selecção laranja no Mundial. O que é que os senhores das cervejas pensaram? É óbvio que não precisamos vender cervejas aos homens durante o Mundial (eles fá-lo-ão "naturalmente"), mas e se as puxarmos a elas? Parece-me um óptimo mote. Sem sair das ideias feitas de moda e de "feminilidade", conseguiram ampliar o conceito, conferindo-lhe dois valores habitualmente associados aos homens: cerveja e futebol.


Não fazia mal aos nossos Senhores da Cerveja olharem para estas coisas e perceberem que há um grande potencial de consumidoras a conquistar.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

o utilizador feminino

Hoje passei por uma "Bluestore", que é como quem diz uma loja tmn cheia de tralhas, entre as quais telemóveis, acesso à internet, pacotes de tv, eu sei lá. No meio da panóplia e já quando estava a pagar, descobri algo interessante, deveras interessante. Um stand-up de balcão a publicitar um telemóvel (cujo modelo se chama Diva e a marca começa por S, acaba em G e tem AMSUN no meio - só para despistar). Um dos pontos de venda era, nada mais nada menos, que "Interface de utilizador feminino". Fiquei espantada, intrigada. Nem sequer era um "ideal para mulheres" ou "o modelo mais feminino de todos os tempos", nada disso. É um novo conceito totalmente disruptivo: o utilizador feminino.
Note-se uma vez mais em português: não é a utilizadora - é o utilizador feminino.
Bom... fui tentar perceber o que era isso do utilizador feminino. Estou interessada nestas matérias. Fui ao site da tmn, fui ao site da marca e fiquei com algumas pistas.
Li as "Características diferenciadoras" do telemóvel e passo a citar as que eu acho que se referem aos atributos do utilizador feminino.
Cá está:
. Beauty Effect é uma funcionalidade que permite "fotos com uma luminosidade própria de uma revista de moda";
. depois há o Lomo Shot, que torna as "cores mais vivas e brilhantes", e que ainda permite trabalhar as fotografias "de uma forma artística e original";
. a Wish list, uma Lista de Compras com organização e categorização de compras de "forma apelativa";
. esta é das minhas preferidas, a Fake Call, para receber chamadas falsas quando o utilizador feminino "está numa situação embaraçosa/aborrecida";
. e outras coisas relativas à Internet e às redes sociais.
O que descobrimos nesta viagem?
O utilizador feminino consome obviamente moda, adora cor, quer ter fotos luminosas e tem beauty a sair-lhe pelos poros; é fanático por compras é claro; tem propensão a situações sociais incómodas, talvez por causa do problema dos poros e, claro está, evita o conflito, prefere arranjar uma desculpa.
Se tivesse de pensar muito iria descobrir um ou dois utilizadores femininos nos meus conhecimentos. Mas com este requinte, garanto que seria difícil. Isto é uma versão optimizada da dondoca. E, claro está, o interface de utilizador feminino não tem características diferenciadoras do género "conciliar reuniões com horas de mamadas" ou passatempos para identificar estereótipos do feminino. Mas talvez fosse boa ideia. É que o utilizador feminino não é uma mulher, é uma diva, como o próprio nome indica.
Já para não falar de todos os homens (já não dá para escrever utillizadora masculina - que espanto) que se interessam por moda, cores garridas, compras e fugir com uma péssima desculpa. Esses homens não são destinatários deste produto.
Agora a sério: eu sei que há produtos feitos para mulheres. Pensos e tampões, gogirl, roupa, carros, etc... eu sei disso tudo. Mas há que saber distinguir o que é diferenciador ou exclusivo nos produtos e vendê-los como tal. O verdadeiro utilizador feminino (ou seja, gaja com telemóvel) pode usar qualquer tipo de telemóvel. E há utilizadores, em geral, que prefeririam este modelo - mas isso não faz deles mais femininos. Nada contra a escolha.
Tudo contra a mensagem e o preconceito inerente.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

gato por lebre

Por estes dias, tenho-me deliciado algumas vezes com os programas do Jamie Oliver, desde o Jamie's American Road Trip ou o mais antigo Ministry of Food. Encanta-me sempre a postura, a atitude perante a comida e perante a vida. Há quem diga que, como chef, não é assim grande coisa, mas não há dúvidas que o homem tem um talento nato para mover. Envolve, cativa, inspira. Sempre com a comida, e com toda a cultura associada, à frente (ia dizer atrás mas é mesmo à frente, a meu ver).
Num desses dias de programa, no intervalo deparo-me com a nova campanha da Knorr, com o chef Henrique Sá Pessoa. Segundo dizem é um grande chef e não duvido. Gostava muito do conceito do seu programa televisivo e, de fonte segura, o seu restaurante parece que é um achado.
O anúncio está bem feito, é giro, tem graça. A Knorr deve estar delirante. Quanto ao chef, já não posso dizer o mesmo. Na verdade, a mim não me chateia nada que um chef faça publicidade a cervejas ou a azeite. Encanta-me muito menos que faça campanha por um aditivo alimentar, independentemente da sua qualidade. Ou seja, dizerem-me a mim que posso ser uma Sá Pessoa se acrescentar um pouquinho de um caldo em pacote, faz-me duvidar se quero lá chegar. É como se tivesse de fazer batota.
Para o produto? É excelente, sem dúvida alguma. Representa notoriedade, credibilidade e genuinidade. Para o chef? A meu ver, tira-lhe isso tudo.
Não deixo de querer ir experimentar o seu restaurante, mas acho que levarei alguma desconfiança no palato.
Há associações publicitárias que nem sempre correm bem para as partes. E até as caras mais credíveis se podem tornar num verdadeiro embaraço para uma marca (por exemplo, o Carlos Cruz). Neste caso, o dano vai mais para o chef. Mas isso sou só eu.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

The macho is here

O Wall Street Institute já nos tem brindado com algumas campanhas publicitárias bastante interessantes, normalmente apimentadas com humor (esta ou esta são bons exemplos). Desta vez, foram buscar o Zezé Camarinha, o expoente máximo do nosso macho latino, o pintas do pintas, e satirizam sobre o seu inglês.
Supostamente apreciado pelas nossas turistas bifas, o Zezé parece-me o embaixador perfeito para ilustrar o "bem falante" de inglês.

Esta campanha é desconcertante. Colocar o Zezé encarnando-se a si mesmo, expondo os seus dotes de de galã e de inglês, é uma tirada arrojada e cada vez mais rara. O risco de fazer publicidade cómica, sem ser com os Gato Fedorento, é falhar o alvo, ser brejeiro, básico ou pouco feliz. Neste caso e a meu ver, o WSI ganhou a cartada. Dá-nos um espelho, ainda que deformado, de nós próprios e pisca um olho a todos os que gostam de aportuguesar a língua inglesa. Depois de Lauro Dérmio, tudo é possível e ficamos com mais um bom exemplo.
Com este nível de publicidade, dificilmente o WSI terá concorrência à altura no ensino de inglês para adultos. Coisas destas não passam despercebidas e constroem uma percepção forte de uma marca, para durar por algum tempo.

Numa palavra, this stuff cativates à brave.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

prendas de Natal VI - o embrulho

Para terminar esta série e mandar definitivamente o Natal para 2009, fica um último post sobre as prendas inimagináveis e megalómanas, contrariando a tendência apresentada no post "prendas de Natal IV"
Todos nós, ou pelo menos alguns de nós, temos desejos "superlativos" e fantasiosos de mega-prendas. Alguns de nós, ou deles melhor dizendo, conseguem realizar esses desejos. Nós contentamo-nos, e bem, em realizar pequenos desejos, com intenções generosas de amor.
Mas os outros desejos existem, tal como as fantasias de "o que é que farias se ganhasses o euromilhões".
Pegando nisso, a Mini fez uma campanha pós-natal absolutamente fabulosa. Atacando mais uma vez a rua, intervindo directamente no quotidiano das pessoas, colocaram perto dos caixotes do lixo uma "embalagem" de um Mini, como se tivesse sido desembrulhada na noite de Natal. O impacto de um caixote de papel gigante no meio da rua é incontornável, provocando tanto estranheza como curiosidade. Podem ver o filme e mais imagens aqui.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

prendas de Natal III - envelopes personalizados

A estratégia do envelope como presente apurou-se e hoje o "envelope" pode ser uma prenda ainda mais espectacular. A verdade é que o acto de oferecer dinheiro segue acompanhado de alguns constrangimentos. À partida, quem recebe gosta, mas, normalmente, quem dá receia que possa ser pouco personalizado ou indiciar falta de interesse. Talvez por isso, é uma prenda que associamos aos avós, pois o reconhecimento da diferença geracional é positivo e oferecer um envelope indicia preocupação, "compra alguma coisa que gostes". O envelope, durante anos, foi o presente que nunca falha, mas sem nunca ser "quentinho". Ainda continua a ser, mas agora há um novo mundo de possibilidades em presentes que nunca falham: os vouchers.
Dêem-me um voucher e ficarei feliz, é o meu mote.
Tudo começou com os cheques-disco, cheques-prenda, mas hoje a palavra voucher carrega mundos, em vez de vales. É um presente que garante a quem dá e a quem recebe a mais pura e desejada sensação de presente: a satisfação. Quem dá, imagina que está a dar um fim-de-semana, uma massagem, uma experiência radical - algo real e que se vislumbra concretizável especificamente para aquela pessoa. E quem recebe, vê-se com algo nas mãos à partida totalmente desejável, com a antecipação da felicidade, a expectativa crescente sobre o momento da realização. Parece publicidade ao conceito, mas na verdade não é. É mais o reconhecimento do sucesso e eficácia da ideia. Pois, o acto de dar e receber resulta no momento - não é escasso e envergonhado como no envelope, em que há pudor de ver o interior à vista de terceiros e que o resultado final (para que servirá o dinheiro) ainda não está definido. Com o voucher, mesmo que não seja efectivado, o acto de presentear resulta por si mesmo.
O conceito, obviamente, tem sofrido multiplicações e mutações. Hoje, o mercado dos vouchers é competitivo e busca inovações muitas vezes inesperadas e, ao primeiro olhar, despropositadas.
No final, compensa. Pois um presente é também a doce expectativa de o gozar e, neste caso, funciona na perfeição.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

prendas de natal I - modelos a seguir

De regresso à realidade dos horários e das obrigações laborais, decidi manter um pouco do espírito iniciando uma pequena série sobre presentes de natal. Meus e outros que vi por aí. É só uma semaninha para ir voltando aos poucos, pois cada vez parece mais difícil.

Para primeiro post, queria falar de um fenómeno extraordinário, associado aos telemóveis.
Contexto: recebi um telemóvel novo no Natal. Lindo, LG, slide... sofisticadíssimo com aquela parte para cima e para baixo. Um must! Ao fim de dois dias, aconteceu algo bizarro: o teclado ficou esquisóide. Não é coisa que se veja muitas vezes, o desaparecimento das teclas 2, 5, 8 e 0, sem paradeiro à vista. Obviamente, fomos trocá-lo. E que aventura foi. Pois um pequeno risco ia comprometendo tudo. Mas, com muitas voltas, a coisa resolveu-se e, ao fim de 2h30 consegui sair do estabelecimento comercial de grande superfície. Feliz ou infelizmente, não fui capaz de trazer o mesmo modelo (havia um trauma para superar) e optei por um Nokia que, apesar da menor sofisticação e de não ter nenhuma parte a movimentar-se, me oferece uma sensação de segurança e, ao mesmo tempo, a possibilidade de ter muitas e muitas músicas.
Fim de contexto.
O fenómeno sobre o qual me queria debruçar tem a ver com aquela parte do menu das mensagens pré-definidas. Aquelas que dizem, por exemplo, "Estou atrasado. Chego às...", "Estou em reunião", "Vejo-o às...", "Reunião cancelada". São modelos de mensagem que o utilizador poderá usar perdendo o mínimo de tempo possível. Ora, há telemóveis, como o meu, que decidem facilitar todo o tipo de mensagem. Já tinha tido um que tinha um modelo com o seguinte texto "Amo-te". Mas este que tenho agora é mais adequado, em vez de dizer isso directamente, diz "Também te amo", o que me parece bastante mais honesto, dentro da desonestidade de enviar um modelo pré-definido com uma mensagem de amor. Sempre facilita mais as coisas a quem não sabe bem o que há-de responder a uma declaração de amor. Oh merda, o que é que se diz numa situação destas? Hum... não é "Estou atrasado", nem "Estou em reunião", isso eu sei... Hum... "Também te amo" parece-me bem. Lá está, facilita e descomplica o uso de SMS românticas.
O meu telemóvel também tem dois outros modelos mais no tom pessoal, o "Obrigado" e o "Parabéns", revelando igualmente como se pode ajudar à espontaneidade dos sentimentos. Mas nada, a meu ver, bate o "Também te amo".
Não percebo como ainda não têm outras opções como "Feliz Natal", "Bom Ano Novo", "Os meus Pêsames", "Tenho muito orgulho em ti, filho", "Odeio-te", "Não me ligues mais", "Desejo-te", "Ontem à noite foi maravilhoso", "Só penso em ti", "Tenho saudades"... São tantas as possibilidades, pensem nisso, e depois gravem um modelo no vosso telemóvel. A banalização pode ajudar.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

publicidade que sobressai

Anda para aí uma campanha muito inteligente de roupa interior masculina. Com piada, irreverência e simplicidade, a unno fez um mupi que funciona na perfeição. Confesso que, quando o vi pela primeira vez, pensei que havia para aí muito vandalismo à solta, mas afinal não.

Com um sugestivo copy, "Conforto que sobressai", temos uma comum foto de um modelo masculino em "trajes menores" mas com um excelente twist: o mupi está aparentemente estilhaçado na zona genital do homem.
Esta campanha consegue plenamente satisfazer os seus targets: os homens, porque percebem que podem parecer "avantajados", qualidade que muito estimam, e ao mesmo tempo sentirem-se confortáveis; e as mulheres heterossexuais, porque acham graça à ideia de oferecer uma "tanguinha" cuja diferença "salta" à vista.
Será brejeiro? Nada disso. É inteligente, apela a "valores" instituídos e enraizados, sem fazer mal a ninguém. Fala directamente ao "coração" de quem se destina.
O facto deste post estar cheio de aspas é significativo, claro. A campanha está carregada de um duplo sentido, totalmente óbvio, mas essencialmente brincalhão, como as pessoas gostam. Toda a gente adora fazer trocadilhos sexuais inofensivos, é uma espécie de paródia ensaiada de salão em que todos se sentem confortáveis com as insinuações.
Esta campanha é uma insinuação brincalhona, que não se "arma aos cucos" como a maior parte da comunicação de roupa interior. Ninguém está à espera de "sobressair" tanto, mas quase todos gostam de brincar sobre isso.
Até agora, parece-me a campanha de "Natal" (estas aspas são só para enganar) mais bem conseguida. Utilizam-se os meios convencionais de uma forma original e simples, sem medos que o produto "não se veja" ou que a mensagem não seja suficientemente "sexy". É inteligente e básica ao mesmo tempo, o que, a meu ver, é um talento.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

escala essa montanha, irmã

Ando há uns dias a ouvir no carro a banda sonora da "Música no Coração". Não o faço simplesmente por adoraaaaar o filme, as canções, a Julie Andrews. Mas principalmente porque o miúdo anda com uma vontade compulsiva de ouvir o dito CD. É certo que há razões de compromisso escolar associadas - parece que a festa de Natal vai envolver parte das músicas - mas a verdade é que até foi ele que sugeriu isso à professora de Inglês.
Pois bem, depois da constante audição da banda sonora, ontem dedicámos parte do nosso tempo a rever o filme. E aquilo que já andava a pensar nestes dias confirmou-se: o filme é intemporal e conquista sempre as crianças. Não pelo conto de fadas da ama que casa com o pai de sete filhos (isso já é batido e está longe de ser a parte mais emocionante da história), mas sim porque existem 7 miúdos de idades diferentes a divertirem-se que nem loucos e ainda por cima fartam-se de cantar e correr em prados verdes. A Julia Andrews faz o que é preciso e fá-lo como ninguém. É impossível não adorar o lado absolutamente livre e endiabrado da Maria, a sua ternura com as crianças e aqueles agudos inigualáveis.
Eu sou fã, é verdade, acho que é um dos grandes filmes da história do cinema, que deve mesmo ser repetido todos os natais. Mas independentemente desse meu lado já rendido, o filme resulta. É claro que resulta, porque hoje, passadas não sei quantas décadas, continua a cativar fãs novos, sem o mínimo de esforço.
A seguir vamos para a Mary Poppins e, daqui a uns aninhos, para o "Victor Victoria" que é brilhante para o seu tempo. Para ver se os filmes mais emblemáticos da Julie Andrews continuam a resultar assim.

Para mim, uma das melhores cenas do filme é quando a Maria sai do convento para ir conhecer, pela primeira vez, aquela prole, com a canção "I have confidence in me" e era essa que queria partilhar convosco. No entretanto, encontrei esta montagem de um trailler falso que consegue transformar um dos filmes mais encantadores de todos os tempos num petrificante filme de terror. Muito bem feito e para rir.
Para quem nunca viu "Música no coração" (não sei se tal é possível), não se deixe enganar pelo trailler. É tudo maravilhoso no filme, excepto os nazis, é claro.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Não tão lenta assim...

Pois que há coisa de um mês o meu carro foi assaltado. Usaram um método que gosto de chamar de abre-latas, que consiste em abrir a porta por cima, deixando uma abertura que pode ir dos 5 aos 15 cm. A minha abertura estava na ordem dos 20 cm, mas sabem como eu gosto de ser exagerada. Apesar do choque inicial de chegar ao carro e ver o meu carrinho violado, com CD espalhados pelo chão, o dano não foi grande. Aparentemente, os gatunos não têm o mesmo gosto musical que eu, mas gostam de mochilas de natação de miúdos de 8 anos, vai-se lá perceber. O meu seguro cobriu o dano. Para poder activá-lo, tive obviamente de me dirigir à Polícia e até não correu mal, tirando o facto do sistema informático estar com problemas e ter demorado por isso uma boa hora e meia no processo. Mas fiquei razoavelmente impressionada. Fui atendida por dois jovens e um deles até me falou de um caso de vandalismo a um veículo deles, quando foram atender um caso de Violência Doméstica. Pareciam estar do lado do bem no combate ao crime.

A dada altura, porém, depois de fazer o levantamento daquilo que tinha sido roubado (touca, chinelos, tanga e óculos numa mochila velha), o sôr agente perguntou-me se queria fazer uma queixa-crime. Não foi este o termo que ele utilizou, mas a pergunta consistia basicamente em querer saber se eu queria abrir um processo civil, dado o valor do roubo. Achei estranho, porque na verdade pensava que este tipo de crimes tinham de ser avaliados pelas forças da lei e não por mim. Disse que sim por descargo de consciência, mesmo não sabendo exactamente o que implicava, mas que percebo eu de leis e de quadros legais? Imaginei que eventualmente voltariam a chamar-me para depor, fazer um reconhecimento numa fila de suspeitos, eu sei lá, um ou dois episódios de uma série manhosa da Fox Crime.
É claro que eu sabia que era improvável, até porque, convenhamos, eles nem sequer viram o carro. O perito da Seguradora deve ser mais CSI que a nossa polícia. De qualquer modo, estava aberto o processo.
Há coisa de uma semana, recebi um postal (sim um postal) da PSP que dizia muito singelamente que o processo tinha sido arquivado. Assim, sem mais. Por falta de provas ou indícios para perpetuar a investigação. Pois. O papel que eu assinei deve ter entrado directamente nos processos para arquivar, é claro, e só por isso é que demorou 2 a 3 semanas a ser arquivado, pois teve de seguir os procedimentos.
Fiquei a pensar por que dizem que a Justiça é lenta em Portugal. Alguém quer mais rápido que isto? Abri o processo e eles rapidamente o fecharam. As Soon As Possible.
É verdade que: 1. eu pude fazer a queixa em qualquer esquadra (para quê informar a esquadra da zona que está a haver assaltos por ali?); 2. Nem me viram o carro (mas para quê se isso é coisa de peritos?); 3. Eu queria mesmo era o papel para a Seguradora (para quê utilizar os meios policiais para apanhar gatunos?).
Por mim, tudo bem. Não estava à espera que, sem qualquer investigação, se chegasse sequer a um suspeito. Mas soa estranho e é principalmente bizarro todo o processo. Talvez se me tivessem dito desde o início que era isto que ia acontecer (o que também cairia mal e provavelmente escreveria aqui mesmo sobre isso), talvez talvez eu pensasse no impacto ambiental da minha acção. Já que não ia ter impacto social, ao menos não se teria utilizado tanto papel.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

é preciso ter lata

Muito se fala da nova comunicação do Pingo Doce e como é pirosa, pindérica, enjoativa, etc. Mas depois de ver hoje, pela primeira vez, a campanha da emel (essa grande empresa municipal com o maior índice de tentativas de atropelamento dos seus funcionários), venha daí a piroseira, pois é preferível à demagogia e populismo.

A campanha assenta em duas ideias falsas: a emel pode salvar-me a vida e facilitá-la até. Usando a imagem de um bloco operatório, em que médicos e enfermeiros fazem um ar entediado e expectante, o anúncio sugere que, por causa de um carro em segunda fila, há uma pessoa que não está a ser operada. Vejam.



Esta dramatização sensacionalista é chocante. Por várias razões. Primeiro, é mentira, já que a emel não tem nada a ver com carros estacionados em 2ªfila, isso é um assunto da polícia (ver correcção nos comentários). Depois, constrói uma situação absurda, negativa e dramática, para projectar-se de uma forma pouco digna ou que tenha sequer a ver com os benefícios directos da emel para a cidade.
Na verdade, ninguém gosta da emel. Nunca ouvi ninguém dizer "ah, a emel, grande empresa, grande trabalho". Eu entendo, a função deles é dura e pouco popular. A comunicação deve evidentemente combater essa percepção, mas não tentando criar uma nova percepção absolutamente desfasada da realidade.
A emel tem uma função importantíssima na cidade. Promove uma coisa imperativa na vida urbana quotidiana: dissuadir o uso de automóveis individuais. Pode ser desagradável, e é muito, mas é um mal necessário. As pessoas queixam-se mas, no fundo, sabem que é preciso. Este trabalho duro que alguém tem de fazer é meritório por si só, mas por favor não tentem que a população goste de vocês, porque isso não vai acontecer nunca.
Um polícia pode salvar-nos a vida, assim como um bombeiro, um paramédico, até um militar. Um senhor ou senhora da emel é apenas um revisor dos lugares concessionados.
Esta campanha parece-me um desejo absurdo de atenção, com uma promessa pouco credível, populista e garganeira (linguagem técnica refinada). Ofende todos os outros grupos profissionais que, realmente, contribuem para a manutenção da ordem e do bem estar nas nossas vidas. A emel fiscaliza e pouco mais. A sua função mais importante é existir e gerir, é um merceeiro de lugares pagos. Quem lhe deu a existência é que tem o mérito e a visão.
Ainda ontem, ao entrar num bairro histórico com entrada reservada a automóveis, vi a seguinte frase pintada nuns tapumes de obras: os moradores não gostam da emel.
Pudera, ninguém gosta.
E ainda gostaremos menos se nos tentarem atirar areia para os olhos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

o melhor e o pior

Resisti durante uns tempos ao Facebook, é um facto. Talvez por que o associasse a um certo diletantismo, superficialidade de relações, desperdício de tempo, partilhas desnecessárias, ou simplesmente porque não queria entrar num clube que me aceitasse como membro. Depois, finalmente, acabei por sucumbir e senti-me idiota durante 3/4 dias. Depois integrei a coisa e senti-me idiota durante 2/3 por me ter sentido idiota.
Na verdade, é uma boa ferramenta para muitas coisas: ter uma quinta animada, divulgar este blog, partilhar links e notícias e, principalmente, receber o que as pessoas (os ditos amigos) têm para partilhar. E pode ser uma excelente experiência, com coisas novas a acontecer e causas a conhecer...
O melhor do Facebook são as pessoas e essa rede que constroem de afectos, de ideias, de experiências, de gostos, de coisas.
Mas o pior do Facebook também são as pessoas. Não por aquilo que partilham, mas pela inacreditável capacidade que têm de aderir a coisas disparatadas (para não dizer parvas) e contaminar uns quantos outros. Ou seja, o processo é espectacular: partilha, disseminação descontrolada, mais partilha, mais disseminação. Tudo isto sem filtro. E é assim que deve ser. Afinal, uma rede é mesmo isso. Chegar às pessoas e elas serem o seu próprio filtro. Eu filtro o que quero e o que não quero do meu facebook.
O problema é quando o facebook se torna gerador de notícias. Quando o próprio facebook se torna notícia, transformando pequenas e insignificantes coisas em bizarras e mega notícias com consequências dificilmente válidas ou compreensíveis. É tudo uma questão de escala e com certeza haverá quem está a perder a sua noção.
Vejamos o caso da Maitê.
A actriz brasileira, evidentemente pouco dotada para a comédia, fez um vídeo disparatado que passou há DOIS anos no Brasil. E o que aconteceu agora? Polémica, polémica, gozou com Portugal e ergue-se um movimento, mais forte do que aquele que elegeu Salazar como o maior dos portugueses, a exigir desculpas. Saltando a parte óbvia do "MAS ESTÁ TUDO LOUCO?", aquilo que se torna evidente é que esta notícia não surgiu em nenhuma redacção atenta, mas obviamente numa rede social. Num dia, a coisa espalhou-se e chegou a jornais, televisões, até a embaixada prestou declarações e na imprensa do Brasil também deram visibilidade a esta não-notícia. Fez-se petição a exigir desculpas e elas lá chegaram. Sofreu ataque na página da wikipédia, eu sei lá, a mulher sofreu por não ter piada.
Alguém se lembrou de partilhar este vídeo e a coisa pegou de um modo inacreditável. E os nossos jornalistas, felizes e contentes, pegaram na notícia e fizeram-na sua, desencadeando este sucessivo rol de acontecimentos infelizes.
O caso do pingo doce também é paradigmático. Fez-se questionários a gozar, grupos contra, petições, tudo por causa de um anúncio. Que se tenha feito tudo isto, não me choca - afinal, haverá muita gente que pode questionar as minhas escolhas facebookescas. Mas que a Comunicação Social pegue nisto e o difunda como um assunto sério, é que é muito estranho.
Se as fontes do nosso jornalismo começarem a ser assim tão latas e tão permeáveis a efeitos virais, já não precisaremos de jornais.
Usem o vosso filtro, porque alguns de nós usarão seguramente.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Porque é bom?!

Os americanos lembram-se de tudo, e no Texas ainda deve ser melhor. Na Universidade desse estado, lembraram-se de fazer um estudo para saber por que é que as mulheres têm sexo. O estudo englobava também os homens, mas o artigo destaca mais as mulheres, talvez por um imediatismo preconceituoso de que os homens têm sexo porque tem mesmo de ser, e as mulheres é por mistérios insondáveis.
Ao ver algumas das razões destacadas, vemos uma panóplia tal de possibilidades que intuímos que o estudo não dá nenhuma resposta generalista (até porque dificilmente poderia), mas apresenta sim aos leitores um rol de motivos de terceiros para terem sexo. Não acrescenta muito, a não ser material para conversa e coscuvilhice.
A propósito dessas "grandes questões" (ou seja, mantendo o grau de superficialidade do estudo), recordo-me de uma parte da peça Caveman (de novo em cena), em que ele diz algo como "ao fim de 10 mil anos, a mulher conseguiu manter o mistério. E o homem?".
Vai daí, ponho-me a pensar nesse grande caminho de emancipação que os homens têm de percorrer. Será que ninguém quer saber por que é que eles têm sexo?

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sobre bola e o resto

Hoje é o tal dia em que está tudo em jogo na qualificação para o Mundial de 2010. Já se fala disto há uns dias, semanas, meses e não é grande assunto para desenvolver. Ou ganhamos hoje e talvez haja ainda uma esperança e tal se os outros falharem, ou perdemos e então escusamos de preocupar-nos mais com isso, fica para a próxima.
Pelo caminho desta demanda infeliz da nossa selecção pós-Euro 2004, muita coisa aconteceu. Dissemos adeus ao Scolari, e depois daquela tentativa de murro ninguém se importou, dissemos "lá vem este" ao Queirós e, num instante, passou toda a febre das bandeiras à janela para uma indiferença envergonhada pós-indignada. A culpa é do Queirós e de outros que agora não interessa, ou talvez do Scolari e do Ronaldo e de mais outros que ninguém quer saber.
Pelo meio também, insurgiram-se vozes contra o advento de Liedson que, será que ninguém reparou?, apenas revelaram a muita xenofobia que para aí anda. A meu ver, uma selecção é a representação de um país. E o nosso país, felizmente, é multi-étnico, diverso e faz-se das pessoas que o compõem. Ser português é fazer por Portugal e escolher fazê-lo, pelo que imagino que haja muitos "estrangeiros" por aí, com a nacionalidade "pura" marcada no B.I., mas que de portugueses têm pouco. Daí só a haver uma resposta: o Liedson escolheu ser português, logo deve jogar na nossa selecção. E depois de marcar um golito, a xenofobia decresceu drasticamente. Se querem jogadores portugueses "puros" (seja lá o que isso for, afinal até o Ronaldo nasceu na Madeira), invistam na formação e sejam como o Sporting.
Adiante que esta conversa está a tornar-se demasiado tecnicista (outra palavra estranha da gíria futebolística).
A febre da selecção baixou drasticamente e só voltará eventualmente com um apuramento. Entretanto temos os clubes e os benfiquistas estão garantidos com a sua euforia, os portistas têm os títulos e os sportinguistas (como eu) têm o esforço, a dedicação, a devoção e o desânimo (em substituição da glória). A selecção já nem sequer tem um bigode, porque o nosso seleccionador snob cortou o dele há anos. Assim não vamos lá!
Alguma alegria dei eu aos vitorianos (Setúbal) quando, em terras estrangeiras para eles (Lisboa), apitei fervorosamente quando os ultrapassei na estrada. É preciso ver que eles levaram uma catrefada de golos dos eufóricos do Jesus. Solidariedade precisa-se e, além disso, o equipamento é verde.
Entretanto este post tornou-se algo bizarro, sendo a conclusão possível a seguinte: o futebol não está sexy (como se diz na gíria da comunicação), está antes chato e pouco épico como a gente gosta, está matemático e à rasquinha. A malta só aguenta isto por causa da cerveja.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

De facto, temos de nos perguntar...

Vi este anúncio e paralisei. Voltamos à publicidade incompreensível. Digo-vos: esta é mesmo absurda. Vejam-na, leiam-na e depois expliquem-me. A minha percepção vem já a seguir.



Primeiro de tudo o headline. Não sei o que me aconteceu ou ao anúncio, mas eu não li "Pergunte-nos", eu li "askus", pensando tornar-se de uma variação moderna para ascos, uma coisa que mete mesmo nojo. A imagem também ajudou a essa leitura obviamente. Aquele sujeito com ar duvidoso agarrado a dois animais parece mesmo um taradão por bichinhos e não um senhor honrado, lamento. Daí o asco fazer sentido. Lendo o body copy, percebemos que o touro e o urso são provavelmente as conjunturas do mercado, com as quais temos de viver lado a lado. Hã????
Depois disto tudo, uma pessoa não quer saber. São consultores, ya! Alguém podia fazer-lhes consultoria de publicidade e livrar-nos de coisa tão bizarra?!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

senhor(a) de farda

Nota prévia: este post será um bocado parvo.

Agora que a zona do meu emprego sucumbiu às garras da EMEL, entrei em grande reflexão. Não devido à questão do congestionamento urbano ou dos problemas de estacionamento da cidade, porque nesse aspecto estou resolvida. Acho muito bem que usem todos os meios possíveis para diminuir o tráfego de Lisboa. Eu é que ainda tenho de fazer uma aprendizagem pessoal nesse sentido, mas para lá caminho - lentamente, é certo, mas não tanto como o ritmo para atravessar o Tejo numa tarde de Verão.
A minha reflexão é de outra ordem. Toda a gente sabe, ou pelo menos devia saber, que ser funcionário da EMEL é ter uma profissão de risco. Espero que paguem bem aos rapazes e raparigas, porque, segundo consta, dois por dia sofrem tentativas de atropelamento. Um dia normal no stressante trânsito desta cidade.


Quando vimos estas fardas, temos vontade de fugir, não só porque podemos ser vítimas colaterais dos atentados, mas também porque temos de chegar antes deles ao nosso carro. Há outros que devem ter logo vontade de correr para cima deles, mas são géneros diferentes de pensar.
Pensando nesta coisa da perseguição, lembrei-me das testemunhas de jeová, mas esses não têm farda. Logo não é a mesma coisa. Mas por outro lado, há os mórmon elders que embora mais raros têm igualmente este ar dúbio de funcionário da EMEL: não sabemos se irão passar-se e bater em alguém ou se serão mais uma vez atacados pela roupa estranha que estão a usar. Ambos têm papéis na mão que não queremos que nos passem e definitivamente querem cumprir a sua missão.


Todos estão a querer fazer o bem, disso não tenho dúvidas. De uma forma, por vezes, chocantemente obtusa e absurda, mas ainda assim propondo-nos novos hábitos, novas formas de viver.
É caso para dizer: sigamos os senhores e, de preferência, que não seja para atropelá-los.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Bons momentos




Ontem vi a versão portuguesa deste anúncio do papel higiénico Colhogar e achei brilhante. Não estava minimamente à espera de nada do que se passa ali e fartei-me de rir.
Acho que tudo o que se passa numa casa de banho com papel higiénico tem potencial cómico. É o nosso lado mais infantil a rir-se da palavra "cocó" e dos puns dos outros.
Mas à parte disso, o que gosto mesmo é dessa ideia de que há um momento de fantasia e catarse individuais durante o tempo de sanita. Pensar naquele momento universal como um refúgio do indivíduo é algo cómico e generoso. É reconhecer em cada um de nós uma fracção exclusiva, única e que não é para partilhar. Mesmo que seja no cocó.
É generoso no sentido em que se reconhece no outro também esse espaço e essa "poesia". Ainda no passado fim-de-semana, pude testemunhar dois casais a discutirem a questão "tempo de lazer na sanita".
Seja com leituras rápidas (ou não...), seja sudoku ou palavras cruzadas, seja brincadeiras com o papel higiénico, seja simplesmente 3 minutos de puro silêncio (ou quase) e isolamento, é um momento que deve ser bom para quem nele está.
O anúncio é cómico, é simples, é eficaz. Eleva a fasquia do disparate individual e privado e eu gosto disso.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Forçar a barra*

Já há que tempos que ando a olhar para a campanha de um cartão de crédito estrangeiro a tentar percebê-la. Apanha em expressões portuguesas que depois traduz em imagens. O conceito é giro. São expressões idiomáticas cujo duplo sentido pode dar azo às confusões que essas imagens apresentam.

Há o exemplo da bucha, que na expressão quer dizer sandes mas também aquele pedacinho de borracha que usamos para assegurar um bom trabalho de bricolage com os parafusos. Se formos ao dicionário, vimos que bucha é muito mais que isso, mas isso são outros 500 (olha, outra expressão sem preço). Há o exemplo do macaco, que é um animal mas que também é uma máquina de solevar grandes pesos. E ainda a história de dar corda à cebola, que confesso nunca tinha ouvido em toda a minha vida.



Está giro, ai que giro, embora com uma imagem duvidosa. Mas porquê? Por que raio estes senhores apresentam esta campanha? Ah, ok não tem preço, que é tipo uma assinatura da marca. Giro.

Mas a verdade é que eu olho para os outdoors, para os mupis, para a parafernália de coisas que eles têm espalhadas por aí e custa-me a perceber. Que eu saiba, estes senhores não são portugueses. Não há qualquer associação desta marca a uma ideia chanfrada de portugalidade.

Então leio isto e percebo (só para não me incomodar muito mais com este assunto). Faz parte de uma estratégia da marca de aproximação aos portugueses (e a outras culturas, porque noutros países fizeram o mesmo). É uma verdadeira estratégia de afirmação de posicionamento. Eu até acho bem. Lá está, é giro. Mas quem são estes senhores? Eles são caras anónimas e cinzentas que nos dão soluções de pagamento, crédito com juros será?, ou seja lá o que for. É só isso que são, uma mega gigante empresa que lucra com transacções. Apetece dizer "ei, amiguinhos, estamos em crise, sejam honestos, não há cá nós e não nos queiram falar ao coração, porque não cola".

Se calhar, simplesmente não percebi. Porque está giro.

*forçar a barra também é uma expressão idiomática do Brasil, acho. Não tem preço... principalmente porque ninguém cobra direitos. Se não, já estava a usar o meu cartão de crédito.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

À nossa!

No fim de semana, foi o Dia do Vinho. Embora não o tenha celebrado efectivamente no fim-de-semana nem sequer ter participado nesse evento, gostei da ideia de pegar numa garrafa especial, abri-la e saborear o seu interior, só para comemorar esse privilégio de termos uma tão boa cultura vinícola no nosso país.

A pensar nisso e não podendo partilhar aqui um copinho, decidi partilhar o exterior de algumas garrafas de vinho. Não faço ideia como será o vinho que contém, mas que têm um belo visual, disso não há dúvidas.






Um rótulo ou uma embalagem têm um grande poder de atracção sobre o consumidor, mas este é tão variável que não há fórmulas perfeitas que resultem com toda a gente.

Se uma embalagem como esta me impeliria para comprar o vinho, será que poderia influenciar o meu gosto sobre ele? Até que ponto vai a força da imagem?