sexta-feira, 31 de julho de 2009

Orgasmem-se

Hoje é dia mundial do orgasmo. Uma boa desculpa para celebrar, investir e procurar novos e melhorados orgasmos. Dizer Viva o Orgasmo, como quem reconhece o valor da paixão, do sexo e, por que não?, do amor.

Esta ideia nasceu, é claro, com intenções comercias - um grupo de sex-shops do Reino Unido esgalhou este novo motivo para se ir à caça de brinquedos sexuais. Por mim, tudo bem. Acho saudável. E, já agora, não seria um bom motivo de feriado? Um dia inteiro para celebrar o êxtase, olha que ideia benemérita e cativante. Para quem tenha mais dificuldades (infelizmente é um problema bastante mais comum do que se possa pensar), seria um dia de exploração e conhecimento (auto e mútuo).

Há quem ande a promover um orgasmo global a 21 de Dezembro de 2009, a favor da paz. São sempre ideias bem-vindas. Não porque precisemos de desculpas, mas sim porque há momentos individuais que devem ser valorizados ao nível da humanidade. Somos mais humanos quando temos um orgasmo? por que não?

A favor da verdade do orgasmo e para nos rirmos um bocadinho, cá vai uma cena mundialmente famosa de um orgasmo falso. Em casa, experimentem à séria. Quem diz em casa, diz na praia, no campo, no comboio, no avião... onde vos aprouver. Bons orgasmos, bom prazer!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

De facto, temos de nos perguntar...

Vi este anúncio e paralisei. Voltamos à publicidade incompreensível. Digo-vos: esta é mesmo absurda. Vejam-na, leiam-na e depois expliquem-me. A minha percepção vem já a seguir.



Primeiro de tudo o headline. Não sei o que me aconteceu ou ao anúncio, mas eu não li "Pergunte-nos", eu li "askus", pensando tornar-se de uma variação moderna para ascos, uma coisa que mete mesmo nojo. A imagem também ajudou a essa leitura obviamente. Aquele sujeito com ar duvidoso agarrado a dois animais parece mesmo um taradão por bichinhos e não um senhor honrado, lamento. Daí o asco fazer sentido. Lendo o body copy, percebemos que o touro e o urso são provavelmente as conjunturas do mercado, com as quais temos de viver lado a lado. Hã????
Depois disto tudo, uma pessoa não quer saber. São consultores, ya! Alguém podia fazer-lhes consultoria de publicidade e livrar-nos de coisa tão bizarra?!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

é preciso perceber tudo?

O MASP - Museu de Arte de São Paulo tem uma escola, com cursos de História de Arte. Para os promover, fez esta acção bem certeira de colocar na moldura um texto sobre o autor e, no espaço destinado à legenda, colocou a obra em ponto pequeno. A ideia é clara. Para podermos apreciar a obra na totalidade, há que conhecer a vida e as obsessões de quem a fez.


Compreendo esta acção e acho-a eficaz. No entanto, sinto-me perfeitamente na ponta oposta deste mote "Conheça o contexto e entenda a obra".
Entender a obra é afinal o quê? É percepcioná-la de um ponto vista meramente racional, com as premissas históricas, sociais, freudianas e políticas, sem esquecer igualmente as nuances das influências artísticas, blábláblá...?
Sou toda a favor da análise e adoro biografias e perspectivas assentes em teorias viajantes no tempo, mas estão noutro plano diferente do da arte. Ou pelo menos num plano diferente do da obra. Primeiro que tudo, a obra cria um impacto e esse é insubstituível. Tudo o resto que vier, está à parte e não compromete o impacto da obra, por ela mesma. Aliás, quando temos demasiada informação, o mais certo é que isso deturpe totalmente a nossa percepção da obra. Talvez a entendamos melhor, mas o que fica então desse primeiro "olhar"? Ficará provavelmente perdido para sempre e nunca mais será recuperável.
A arte, para quem a recebe, é uma experiência estética. Estimula sentidos e provoca emoções. O resto da compreensão virá da nossa vontade de compreender essa mesma experiência e, num certo sentido, do desejo de recuperá-la.
Para quem a cria, a história é outra e não cabe aqui, pois para quem a recebe isso será, num primeiro momento, indiferente.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Pôr os miúdos a mexer

Quando pensamos em actividades desportivas nas crianças pensamos muito mais no presente do que no futuro. Mas sabemos que a aprendizagem de um desporto possibilita a aquisição de novas competências sociais e, no caso da natação, até achamos que pode ser realmente útil para a sua sobrevivência.

Mas fazemo-lo a um nível muito objectivo sem especularmos sobre quais são realmente as competências que lhes vão valer no seu dia-a-dia futuro. Esta campanha ajuda-nos, com humor, a visualizar um hipotético futuro de uma criança que não praticou desporto.
A ver, são curtinhos e cómicos...








segunda-feira, 27 de julho de 2009

senhor(a) de farda

Nota prévia: este post será um bocado parvo.

Agora que a zona do meu emprego sucumbiu às garras da EMEL, entrei em grande reflexão. Não devido à questão do congestionamento urbano ou dos problemas de estacionamento da cidade, porque nesse aspecto estou resolvida. Acho muito bem que usem todos os meios possíveis para diminuir o tráfego de Lisboa. Eu é que ainda tenho de fazer uma aprendizagem pessoal nesse sentido, mas para lá caminho - lentamente, é certo, mas não tanto como o ritmo para atravessar o Tejo numa tarde de Verão.
A minha reflexão é de outra ordem. Toda a gente sabe, ou pelo menos devia saber, que ser funcionário da EMEL é ter uma profissão de risco. Espero que paguem bem aos rapazes e raparigas, porque, segundo consta, dois por dia sofrem tentativas de atropelamento. Um dia normal no stressante trânsito desta cidade.


Quando vimos estas fardas, temos vontade de fugir, não só porque podemos ser vítimas colaterais dos atentados, mas também porque temos de chegar antes deles ao nosso carro. Há outros que devem ter logo vontade de correr para cima deles, mas são géneros diferentes de pensar.
Pensando nesta coisa da perseguição, lembrei-me das testemunhas de jeová, mas esses não têm farda. Logo não é a mesma coisa. Mas por outro lado, há os mórmon elders que embora mais raros têm igualmente este ar dúbio de funcionário da EMEL: não sabemos se irão passar-se e bater em alguém ou se serão mais uma vez atacados pela roupa estranha que estão a usar. Ambos têm papéis na mão que não queremos que nos passem e definitivamente querem cumprir a sua missão.


Todos estão a querer fazer o bem, disso não tenho dúvidas. De uma forma, por vezes, chocantemente obtusa e absurda, mas ainda assim propondo-nos novos hábitos, novas formas de viver.
É caso para dizer: sigamos os senhores e, de preferência, que não seja para atropelá-los.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

sexualmente falando

Se demoras, vens mais tarde é a assinatura da nova campanha dos preservativos Control. Nos mupis, a mensagem principal é com uma desculpa parva para um atraso, do género "O eléctrico teve um furo" e "O despertador caiu no aquário". Mas, para mim, é esta assinatura que fecha muito bem a campanha, porque carrega uma carga sexual óbvia e descarada. No anúncio de TV, o sexo está todo lá e a piada também.
Percebe-se a mensagem: é uma espécie de preservativo prolongador de prazer ou retardador, se preferirem. Chama-se mesmo Control Non Stop, para que não restem dúvidas.
É normal, inevitável até, a publicidade de preservativos falar de sexo e falar de prazer. De qualquer modo, dá gosto ver o despudor e o enfoque no prazer de um modo descomplexado. Indo mais longe, acho até que este tipo de publicidade tem um efeito pedagógico na sociedade, abrindo mentalidades e quebrando preconceitos. Gosto disso, devo dizer.


quinta-feira, 23 de julho de 2009

"Impousável"

As palavras serão sempre um dos meus objectos predilectos, apaixonantes sem ser ao ponto de não querer mudá-las, mas dignas de amor, de cuidado laborioso e de tango.

Ou as encontramos ou elas encontram-nos a nós. No primeiro caso, criamo-las, no segundo criam e recriam-nos elas a nós. Ou as escrevemos ou as lemos. É possível ser fiel aos seus dois modos de ser, porque no fundo são uma e a mesma, outra em espelho, em sequência, em rodopio.
São amantes exigentes, quando nos deixamos despojar, quando nos arrebatam. São parceiras constantes quando as deixamos de lado, aguardando o momento, suspendendo a ansiedade mas mantendo a intimidade. São uma confidência, um segredo, um desabafo. São o mundo todo, sem nunca o serem.
E não cedem a elogios, porque são apenas caprichos da sua natureza.
Tudo isto a propósito destas duas campanhas, a meu ver brilhantes. Uma da Rolling Stone, sobre a tentativa de matar palavras (cliquem na imagem para ler, vale a pena), e outra da editora Penguin.