Ontem vi a versão portuguesa deste anúncio do papel higiénico Colhogar e achei brilhante. Não estava minimamente à espera de nada do que se passa ali e fartei-me de rir.
Acho que tudo o que se passa numa casa de banho com papel higiénico tem potencial cómico. É o nosso lado mais infantil a rir-se da palavra "cocó" e dos puns dos outros.
Mas à parte disso, o que gosto mesmo é dessa ideia de que há um momento de fantasia e catarse individuais durante o tempo de sanita. Pensar naquele momento universal como um refúgio do indivíduo é algo cómico e generoso. É reconhecer em cada um de nós uma fracção exclusiva, única e que não é para partilhar. Mesmo que seja no cocó.
É generoso no sentido em que se reconhece no outro também esse espaço e essa "poesia". Ainda no passado fim-de-semana, pude testemunhar dois casais a discutirem a questão "tempo de lazer na sanita".
Seja com leituras rápidas (ou não...), seja sudoku ou palavras cruzadas, seja brincadeiras com o papel higiénico, seja simplesmente 3 minutos de puro silêncio (ou quase) e isolamento, é um momento que deve ser bom para quem nele está.
O anúncio é cómico, é simples, é eficaz. Eleva a fasquia do disparate individual e privado e eu gosto disso.









