Há demasiado tempo que nos roubam o Terreiro do Paço. Parece que há gerações que não estamos reconciliados com essa porta da cidade. Há pouco tempo devolveram-nos o Cais das Colunas, para depois nos arrancarem o resto da Praça, devido às obras.
Não tenho nada contra as obras. Mas quero vê-las por trás das costas.
Agora vem a público o novo projecto para o Terreiro do Paço, de autoria do Arquitecto Bruno Soares (ler entrevista), que nos ilumina uma nova possibilidade.
Não estamos ainda em condições de abraçar e viver a Praça. Estamos apenas em condições de contemplar esta ideia, de antecipar a sua vivência, de contemplar a sua imagem e de imaginar o seu potencial.
É isso também que faz a vida de uma cidade, a meu ver. A sua imagem é feita das sensações vividas e das expectativas sonhadas. Lisboa, neste momento, é mais que os jacarandás que vejo agora na janela e o eléctrico que ouço passar. É também tudo o que desejo dela neste momento. Uma esplanada à beira-rio, um passeio no Chiado, um momento sentada na relva à sombra com os pés descalços. As relações que estabelecemos com as nossas cidades (sim, pode ser mais que uma), com os nossos lugares, baseiam-se nessa imagem sonhada que desperta sensações conhecidas.
Por isso, gosto à partida deste projecto. Porque me faz viver, por antecipação, a esperança de ali estar. E havemos de lá estar.






