quarta-feira, 27 de maio de 2009

Paixão pela cidade

Há demasiado tempo que nos roubam o Terreiro do Paço. Parece que há gerações que não estamos reconciliados com essa porta da cidade. Há pouco tempo devolveram-nos o Cais das Colunas, para depois nos arrancarem o resto da Praça, devido às obras. 
Não tenho nada contra as obras. Mas quero vê-las por trás das costas. 

Agora vem a público o novo projecto para o Terreiro do Paço, de autoria do Arquitecto Bruno Soares (ler entrevista), que nos ilumina uma nova possibilidade. 

Não estamos ainda em condições de abraçar e viver a Praça. Estamos apenas em condições de contemplar esta ideia, de antecipar a sua vivência, de contemplar a sua imagem e de imaginar o seu potencial.

É isso também que faz a vida de uma cidade, a meu ver. A sua imagem é feita das sensações vividas e das expectativas sonhadas. Lisboa, neste momento, é mais que os jacarandás que vejo agora na janela e o eléctrico que ouço passar. É também tudo o que desejo dela neste momento. Uma esplanada à beira-rio, um passeio no Chiado, um momento sentada na relva à sombra com os pés descalços. As relações que estabelecemos com as nossas cidades (sim, pode ser mais que uma), com os nossos lugares, baseiam-se nessa imagem sonhada que desperta sensações conhecidas.

Por isso, gosto à partida deste projecto. Porque me faz viver, por antecipação, a esperança de ali estar. E havemos de lá estar.




terça-feira, 26 de maio de 2009

Prata da casa

Ideias destas nunca vão para o caixote. No máximo vão para uma gaveta. 

Ou  servem para fazer sucesso nas Offfs da vida. 

Mas melhor ainda, testam a perseverança e a vontade de fazer. Na Musa, parece que essas nunca se esgotam. 

Além do trabalho apresentado, gosto principalmente da ideia do vídeo. A de que os erros, os falhanços nos levam sempre para outros sítios. Que, quando doem, mesmo assim, podem dar-nos sementes de aprendizagem. Além disso, é inevitável reconhecermos como a argumentação para uma "rejeição" é inconstante e incoerente, podendo igualmente ser usada como argumento de aprovação. 

Em tempos de crise, dá gosto ver. 

Parabéns aos meus queridos musaólicos da vida.
 

MusaWorkLab™ OFFF Presentation from MusaWorkLab on Vimeo.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Mostra o cartão

A verdade é que o cartão de visita pode ser mesmo um cartão de visita, ou seja ser uma apresentação diferenciadora de uma empresa. Aqui vão duas boas ideias que mostram como um simples cartão de visita pode ser totalmente disruptivo e falar mesmo por alguém. 
Cliquem nas imagens para ver a ideia e o resultado.


O cartão carimbo é um daqueles passos ousados que poucos têm a coragem de levar até ao fim. Parece ser uma daquelas ideias brilhantes, que no final vão ser chumbadas por "as pessoas não estarem preparadas". Pelos vistos, está-se a fazer, estejam ou não preparadas. O mundo agradece e a comunicação também. 
Mesmo que não dê muito jeito ter um cartão de visita que é a tampa de um iogurte, a verdade é que o cliente não o vai esquecer tão cedo.




Embora não seja tão giro, tem o mesmo carácter de ideia "nunca ninguém vai aprovar isto", mas foi. Passa de imediato a mensagem daquilo que fazem. E consegue manter uma atitude positiva e sustentável de reutilização, contra o desperdício. 

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Abrir de mansinho


Como quem não quer a coisa e quase sem fazer barulho, vou voltar a entrar na blogosfera. Até ver...

Suavezinho, a deslizar, sem barulhos, como um roupeiro do Ikea, com portas deslizantes.  

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Gostam? mas gostam mesmo?

Há campanhas publicitárias que não se entende como é que foram criadas, aprovadas, finalmente produzidas e postas cá fora... umas porque são más, outras porque não se percebem ou são mesmo estúpidas. A campanha desenvolvida para novos hospitais de uma rede privada reúne tudo isso: está mal feita, não se percebe, é estúpida e socialmente irresponsável.






Mal feita

Que raio de imagem é aquela? A mulher parece que está a morrer ou que saiu de uma comunidade hippie dos anos 60, com uma dose extra de alucinogénios. "Nós gostamos de si"? Que é que isso me interessa? Se for ao hospital, quero que tratem de mim, da minha saúdinha. Não têm nada de gostar ou não gostar de mim.


Não se percebe

Pois claro que não se percebe. Quem é aquela pessoa a segurar naquela flor? São os doentinhos? É a enfermeira? É nossa senhora? E gostam de mim e então?


É estúpida

Ah pois é! Estão a gozar connosco? Que valores é suposto transmitirem com aquilo? Eu continuo a achar que flores e hippies não têm nada a ver com saúde... Gostam de mim e nem me conhecem de parte nenhuma.


Irresponsável

Esta coisa de dizerem "Nós gostamos de si" parece ser por oposição a "uns outros tantos que não gostam de mim". Pagando gostam de mim, não pagando, depende. Com aquela cabeleira, ar de agarrada e de florzinha na mão é provável que no Sistema Nacional de Saúde não gostem dela. Nem no SNS nem em lado nenhum. 


Em conclusão

Claramente a mulher é suicida e a mensagem da campanha é "mesmo que se queiram matar, desde que paguem, está tudo bem". Nós gostamos de si e não é por pagar, é porque gostamos de toda a gente, até de sujeitas estranhas, com ar de figura mitológica em fim de carreira. 

O que é que esta gente anda a pensar?

sexta-feira, 16 de maio de 2008

pela boca fora

A linguagem é determinante para a percepção de um determinado objecto. O poder que possui pode num certo sentido alterar o próprio objecto. 

Quando usamos determinada palavra para definir determinado objecto estamos a alterá-lo. Até numa coisa tão simples como uma cor. Dizer negro como breu não é o mesmo que dizer preto. Porque a linguagem é o reflexo de um olhar e possibilita a criação de um outro, quando é partilhada. 

1. Em comunicação, o trabalho é esse mesmo: alterar a percepção de acordo com os "nossos" objectivos. Muitas vezes, na nossa actividade, podemos pervertê-los subtilmente, ou arranjar forma de alterá-los sem os "danificar", de acordo com o que é a nossa visão do mundo. Às vezes podemos fazê-lo com intenção, outras de forma inconsciente. Por isso mesmo é que a maior parte da publicidade não faz mais do reforçar estereótipos, porque são eles que dominam o inconsciente colectivo.

Esse é um poder que devemos ter consciência que utilizamos. Acho salutar que aquele que desenvolve esse tipo de linguagem em comunicação tenha noção da sua perspectiva e saiba usá-la para o "bem". Isto é, que subverta aquilo que tem a subverter, veiculando uma mensagem progressista (no meu caso) para a sociedade e que consiga ao mesmo tempo ser um bom profissional. No limite, que venda sabões mas que apresente uma boa razão para isso.


2. Ainda sobre a questão do poder da linguagem para definir um objecto, veja-se isto. Um dos candidatos àquele partido português laranja diz sobre o casamento entre homossexuais que "Não é importante a designação que damos ao instituto desde que possamos garantir esses direitos”, defendendo assim "alguma forma de contrato civil semelhante ao casamento", desde que não se chame isso. Faz lembrar a rábula dos Gato Fedorento sobre o Marcelo e o aborto. União  civil badalhoca e secreta entre duas pessoas do mesmo sexo, SIM, casamento com cerimómia e festa NÃO! 

O que eles sabem é que não se pode mexer no nome. Porque dar um nome de heterossexuais é normalizar a dita união, alterando o objecto em causa. Neste caso, o objecto casamento e também o objecto homossexualidade. Os mesmos direitos legais não fazem o mesmo objecto, logo não dão os mesmos direitos. É o nome que confere os direitos e privilegia a valorização do dito contrato. Se não, é apenas mais um estigma. 

E estes senhores do poder com certeza sabem disso e pensam que conseguem agradar a gregos e troianos. Mas há troianos que querem o nome.   
 

quinta-feira, 8 de maio de 2008

n'est pas pour tout le monde

A andar pela França, descobri uma loja absolutamente extravagante. 

Dedicada à venda dos famosos macarrons - não macarrão, mas uma espécie de suspiro e chocolate em forma de mini-hambúrguer - La Maison Bouillet é um verdadeiro regalo para os olhos. As cores destes pequenos alimentos são estonteantes e, nesse sentido, acabam por ser mais objecto de admiração visual do que propriamente gustativa. 




Para aguçar ainda mais o visitante, só existem lojas em Lyon e em Tóquio. Com tal exclusividade, o visitante sente-se desarmado pela experiência e impelido a comprar pela oportunidade. Não sentiria o mesmo, parece-me, se só existissem lojas em Lyon (o que as tornaria mais exclusivas, mas com mais carácter de souvenir). A loja de Tóquio eleva a marca para um patamar de refinamento e raridade que as três em Lyon nunca alcançariam sozinhas. 

É certo que só descobri que a loja também existia em Tóquio depois das compras, ao ver a morada no saco. Mas isso não minimiza o impacto, antes valoriza a beleza dos objectos dispostos.