sexta-feira, 22 de maio de 2009

Abrir de mansinho


Como quem não quer a coisa e quase sem fazer barulho, vou voltar a entrar na blogosfera. Até ver...

Suavezinho, a deslizar, sem barulhos, como um roupeiro do Ikea, com portas deslizantes.  

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Gostam? mas gostam mesmo?

Há campanhas publicitárias que não se entende como é que foram criadas, aprovadas, finalmente produzidas e postas cá fora... umas porque são más, outras porque não se percebem ou são mesmo estúpidas. A campanha desenvolvida para novos hospitais de uma rede privada reúne tudo isso: está mal feita, não se percebe, é estúpida e socialmente irresponsável.






Mal feita

Que raio de imagem é aquela? A mulher parece que está a morrer ou que saiu de uma comunidade hippie dos anos 60, com uma dose extra de alucinogénios. "Nós gostamos de si"? Que é que isso me interessa? Se for ao hospital, quero que tratem de mim, da minha saúdinha. Não têm nada de gostar ou não gostar de mim.


Não se percebe

Pois claro que não se percebe. Quem é aquela pessoa a segurar naquela flor? São os doentinhos? É a enfermeira? É nossa senhora? E gostam de mim e então?


É estúpida

Ah pois é! Estão a gozar connosco? Que valores é suposto transmitirem com aquilo? Eu continuo a achar que flores e hippies não têm nada a ver com saúde... Gostam de mim e nem me conhecem de parte nenhuma.


Irresponsável

Esta coisa de dizerem "Nós gostamos de si" parece ser por oposição a "uns outros tantos que não gostam de mim". Pagando gostam de mim, não pagando, depende. Com aquela cabeleira, ar de agarrada e de florzinha na mão é provável que no Sistema Nacional de Saúde não gostem dela. Nem no SNS nem em lado nenhum. 


Em conclusão

Claramente a mulher é suicida e a mensagem da campanha é "mesmo que se queiram matar, desde que paguem, está tudo bem". Nós gostamos de si e não é por pagar, é porque gostamos de toda a gente, até de sujeitas estranhas, com ar de figura mitológica em fim de carreira. 

O que é que esta gente anda a pensar?

sexta-feira, 16 de maio de 2008

pela boca fora

A linguagem é determinante para a percepção de um determinado objecto. O poder que possui pode num certo sentido alterar o próprio objecto. 

Quando usamos determinada palavra para definir determinado objecto estamos a alterá-lo. Até numa coisa tão simples como uma cor. Dizer negro como breu não é o mesmo que dizer preto. Porque a linguagem é o reflexo de um olhar e possibilita a criação de um outro, quando é partilhada. 

1. Em comunicação, o trabalho é esse mesmo: alterar a percepção de acordo com os "nossos" objectivos. Muitas vezes, na nossa actividade, podemos pervertê-los subtilmente, ou arranjar forma de alterá-los sem os "danificar", de acordo com o que é a nossa visão do mundo. Às vezes podemos fazê-lo com intenção, outras de forma inconsciente. Por isso mesmo é que a maior parte da publicidade não faz mais do reforçar estereótipos, porque são eles que dominam o inconsciente colectivo.

Esse é um poder que devemos ter consciência que utilizamos. Acho salutar que aquele que desenvolve esse tipo de linguagem em comunicação tenha noção da sua perspectiva e saiba usá-la para o "bem". Isto é, que subverta aquilo que tem a subverter, veiculando uma mensagem progressista (no meu caso) para a sociedade e que consiga ao mesmo tempo ser um bom profissional. No limite, que venda sabões mas que apresente uma boa razão para isso.


2. Ainda sobre a questão do poder da linguagem para definir um objecto, veja-se isto. Um dos candidatos àquele partido português laranja diz sobre o casamento entre homossexuais que "Não é importante a designação que damos ao instituto desde que possamos garantir esses direitos”, defendendo assim "alguma forma de contrato civil semelhante ao casamento", desde que não se chame isso. Faz lembrar a rábula dos Gato Fedorento sobre o Marcelo e o aborto. União  civil badalhoca e secreta entre duas pessoas do mesmo sexo, SIM, casamento com cerimómia e festa NÃO! 

O que eles sabem é que não se pode mexer no nome. Porque dar um nome de heterossexuais é normalizar a dita união, alterando o objecto em causa. Neste caso, o objecto casamento e também o objecto homossexualidade. Os mesmos direitos legais não fazem o mesmo objecto, logo não dão os mesmos direitos. É o nome que confere os direitos e privilegia a valorização do dito contrato. Se não, é apenas mais um estigma. 

E estes senhores do poder com certeza sabem disso e pensam que conseguem agradar a gregos e troianos. Mas há troianos que querem o nome.   
 

quinta-feira, 8 de maio de 2008

n'est pas pour tout le monde

A andar pela França, descobri uma loja absolutamente extravagante. 

Dedicada à venda dos famosos macarrons - não macarrão, mas uma espécie de suspiro e chocolate em forma de mini-hambúrguer - La Maison Bouillet é um verdadeiro regalo para os olhos. As cores destes pequenos alimentos são estonteantes e, nesse sentido, acabam por ser mais objecto de admiração visual do que propriamente gustativa. 




Para aguçar ainda mais o visitante, só existem lojas em Lyon e em Tóquio. Com tal exclusividade, o visitante sente-se desarmado pela experiência e impelido a comprar pela oportunidade. Não sentiria o mesmo, parece-me, se só existissem lojas em Lyon (o que as tornaria mais exclusivas, mas com mais carácter de souvenir). A loja de Tóquio eleva a marca para um patamar de refinamento e raridade que as três em Lyon nunca alcançariam sozinhas. 

É certo que só descobri que a loja também existia em Tóquio depois das compras, ao ver a morada no saco. Mas isso não minimiza o impacto, antes valoriza a beleza dos objectos dispostos. 

sábado, 26 de abril de 2008

o cliente que atrai novos clientes

É uma técnica comum em publicidade usar uma figura pública, com relativa notoriedade (afinal depende sempre do produto em causa), para promover um determinado produto/serviço/marca. Às vezes, pode sair furado ou causar mesmo algum embaraço, como por exemplo uma determinada seguradora usar um determinado apresentador de televisão que de repente se torna um dos mais mediáticos suspeitos de um processo escandaloso no país. Eu, pessoalmente, acho também embaraçoso colocar a Catarina Furtado a dançar à volta de umas cadeiras para promover um Banco, mas isso sou eu, que não nutro grande simpatia pela senhora.



Agora, há casos que só podem causar estupefacção. Como por exemplo este anúncio estranho de uma aparentemente conceituada marca de relógios que coloca o Napoleão Bonaparte como seu cliente desde 1798. Por mim, tudo bem, demonstra antiguidade, rigor e com certeza precisão. Afinal o homem andava para aí a conquistar a Europa toda, era bom que o seu relógio estivesse bem certo. Se calhar na batalha de Waterloo, esqueceu-se de dar corda ao relógio e foi o que se viu.




Colocar um senhor Imperador a vender um relógio parece-me um pouco demais, ainda mais quando o homem tinha uma psicose megalómana do piorio. Resultará? pergunto-me eu. Trata-se de uma campanha internacional, como pude verificar no site oficial da dita marca, por isso é coisa para nutrir algum efeito. Será que, ao ver tal anúncio, um homem de negócios sente que está imbuído de alguma especial luz se usar o dito relógio? Será que sente que pertencerá a uma elite especial, feita de sucesso e conquista, se comprar o modelo que o Napoleão usa desde 1798? O impulso é "ai, ai, vou já comprar o relógio do napoleão!"?



Há ainda outras questões curiosas, do género: será que a dita postura do Imperador com o braço era só para mostrar melhor a marca do seu relógio? será que o conquistador da Europa dos inícios do séc.XIX ainda é cliente? e por que é que ele está tão giro no anúncio? Considerações que a campanha deixa escapar, levantando um incontornável debate.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

a maçã com uma trinca

Lá vêm os especialistas outra vez. Desta feita resolveram fazer um inquérito para agarrados das marcas, que culminou naquilo que eles chamam de Brandjunkies Awards. Por mim, tudo bem. Medir o impacto de uma marca na vida das pessoas, da sociedade e da cultura, parece-me um exercício interessante. Eventualmente podemos achar que roça o fútil, mas uma marca como a McDonald's, por exemplo, diz muito sobre a sociedade em que vivemos. 
Aparte isso, a futilidade está, claramente, nos "junkies" que responderam ao inquérito. A Apple aparece no topo de quase todas as respostas, excepto nas perguntas "más", e isso indica apenas uma coisa: os junkies são os tipos dos gadgets, que é como quem diz gostam das coisinhas que a Apple faz. Dos iMacs, dos iPods, dos iPhones, iPoraífora. 
Uma marca como a Apple, fortíssima e impactante obviamente, é ainda assim uma marca para um nicho. O mesmo nicho que provavelmente se interessa por marcas. Se sociólogos tivessem respondido a este inquérito, teria a Apple estes resultados? Não se trata aqui de uma idiotice minha de estar a torcer por outra marca - na verdade pouco me interessa. Trata-se mais de tentar perceber como o contacto de cada um com as marcas é facilmente relativizável ou enquadrável num determinado grupo de gente.  

terça-feira, 1 de abril de 2008

mulher africana

Ainda não tive a revista na minha mão, mas à partida adoro o conceito. "A nova revista para a mulher africana" parece-me um nicho muito improvável, mas isso atrai-me sobremaneira. É um target muito específico, que ganha aqui uma visibilidade rara. Espero, quando vir os conteúdos, não me desiludir. Até lá, estou realmente impressionada.